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Yoshi and the Mysterious Book: análise do novo exclusivo Nintendo Switch 2

Um livro que respira, um Yoshi que surpreende — e uma Nintendo que prova não ter ficado sem ideias.

Yoshi regressa em grande — literalmente dentro das páginas de uma enciclopédia viva que caiu do céu.

Era difícil imaginar que a Nintendo voltaria a surpreender com Yoshi após sete anos de silêncio desde Yoshi’s Crafted World. Mas Yoshi and the Mysterious Book, desenvolvido pelo estúdio japonês Good-Feel e lançado a 21 de maio de 2026 em exclusivo para a Nintendo Switch 2, fez exatamente isso. O jogo é o nono capítulo principal da série Yoshi e oferece uma das experiências mais originais da primeira fase de vida da nova consola da Nintendo. Disponível a €59,99, é também um dos títulos mais comentados desta semana — com um 81 no Metacritic e críticas que dividem opiniões de forma quase cirúrgica.

A premissa é tão estranha quanto deliciosa: um dicionário falante chamado Sr. E cai do céu, as suas páginas cheias de criaturas misteriosas que precisa de ajuda para catalogar. Bowser Jr. e Kamek, claro, tratam de complicar as coisas. Yoshi mergulha literalmente nas folhas do livro para encontrar, interagir e aprender com cada criatura — e é aí que a magia acontece.

A primeira impressão: um livro que respira

Desde os primeiros segundos, Yoshi and the Mysterious Book impõe uma identidade visual absolutamente única. O mundo dentro das páginas do Sr. E é animado num estilo que imita a animação em stop-motion — com uma cadência de fotogramas deliberadamente mais baixa em certas ações, como nos saltos do Yoshi, que dá a tudo uma textura de paper-craft artesanal. É uma escolha estética corajosa que funciona de forma extraordinária, conferindo ao jogo uma personalidade que nenhum outro título da Nintendo tem neste momento.

O onboarding é suave, quase imperceptível. O jogo apresenta as mecânicas de forma orgânica, sem tutoriais longos ou texto excessivo. Num ápice, o jogador está já a explorar os cantos de cada capítulo com curiosidade genuína — e é precisamente esse sentimento de curiosidade que o jogo faz questão de alimentar. Cada novo capítulo é uma surpresa: uma nova criatura, um novo ambiente, uma nova cor de papel.

A Nintendo escolheu um tom que equilibra a imaginação vertiginosa com uma acessibilidade quase total. Os mais novos vão adorar, mas qualquer veterano de plataformas vai encontrar camadas de exploração que justificam a atenção. O ecrã do Nintendo Switch 2 em modo portátil faz jus a toda a riqueza de detalhes — há uma nitidez e vivacidade nas cores que salta literalmente para fora do ecrã.

Jogabilidade

O loop central de Yoshi and the Mysterious Book gira em torno da descoberta e interação com criaturas. Cada capítulo apresenta um novo habitante das páginas do Sr. E, com características únicas que Yoshi pode utilizar para resolver puzzles e atravessar os níveis. Algumas criaturas permitem que o Yoshi as coma e as transforme em ovos-projétil, outras podem ser carregadas nas costas e usadas como plataforma ou alavanca. A variedade é genuinamente impressionante durante as primeiras horas.

A Nintendo aproveitou de forma inteligente as capacidades da Nintendo Switch 2. O HD Rumble 2 dos Joy-Con 2 devolve feedback táctil distinto consoante a criatura que se interage — engolir uma criatura rochosa sente-se literalmente diferente de apanhar uma criatura etérea. É um pormenor que passa despercebido até deixar de existir, e é precisamente esse o critério de um bom design de feedback. O GameChat, funcionalidade social da Switch 2, está integrado para partilhar momentos de descoberta com outros jogadores, algo que faz sentido dado o ADN exploratório do jogo.

Onde o jogo tropeça — e é honesto reconhecê-lo — é na estrutura dos capítulos. A fórmula “entra no capítulo, encontra a criatura, aprende as suas capacidades, completa os objetivos, passa ao seguinte” funciona bem até ao meio do jogo, mas torna-se previsível sem a evolução de desafio que se esperaria. Fãs de plataformas mais exigentes sentirão a ausência de um modo difícil que realmente ponha à prova os reflexos. O jogo é delicioso, mas raramente é tenso.

Yoshi and the Mysterious Book — screenshot de jogabilidade
A jogabilidade gira em torno de encontrar e interagir com as criaturas das páginas do Sr. E

História e mundo

A narrativa de Yoshi and the Mysterious Book não pretende ser épica — e é exatamente por isso que resulta. O Sr. E é uma personagem genuinamente carismática: uma enciclopédia ansiosa, cheia de sabedoria mal arrumada, que precisa do Yoshi para redescobrir o que as suas próprias páginas contêm. A relação entre os dois é tocante sem ser melosa, e os diálogos têm um humor seco e britânico que é uma surpresa bem-vinda numa produção Nintendo.

Bowser Jr. e Kamek aparecem como antagonistas recorrentes, mas sem o peso dramático que lhes é habitual — funcionam mais como motores de complicação do que como ameaças reais. O que importa mesmo é a jornada pelo interior do livro, capítulo a capítulo, criatura a criatura. Cada habitat é uma miniatura de um mundo possível — florestas de papel, oceanos de tinta, montanhas de cartão — e o worldbuilding é construído com uma consistência visual e temática que impressiona.

Há uma subtileza na mensagem do jogo que merece atenção: a enciclopédia como metáfora da memória coletiva, do conhecimento que precisa de ser redescoberto e vivido para ter sentido. É uma leitura que talvez seja demasiado generosa para um jogo de plataformas Nintendo, mas o facto de estar disponível diz muito sobre a qualidade da escrita da Good-Feel.

Yoshi and the Mysterious Book — cenário interior do livro
Cada capítulo apresenta um novo ambiente desenhado como um diorama de papel animado

Gráficos, som e desempenho

Visualmente, Yoshi and the Mysterious Book é um dos jogos mais coerentes e distinctivos do catálogo da Nintendo Switch 2 até à data. O estilo stop-motion é executado com uma precisão que torna difícil acreditar que é digital. As texturas de papel, as sombras suaves, a forma como os fundos se dobram e desdobram como páginas reais — tudo isso foi pensado com um cuidado quase obsessivo. Em modo docked, o jogo corre a 1080p/60fps com uma estabilidade exemplar, sem drops notáveis mesmo nos momentos de maior atividade no ecrã.

Em modo portátil, o desempenho mantém-se estável, com pequenas concessões de resolução que passam praticamente despercebidas no ecrã do Switch 2. A Nintendo otimizou bem a passagem entre modos — o jogo não hesita nem um frame na transição de docked para handheld, algo que a funcionalidade de Game-Sharing da consola torna ainda mais fluido para sessões em família.

A banda sonora, composta com instrumentação que imita sons de papel e percussão artesanal, é absolutamente encantadora. Cada capítulo tem o seu tema, e há melodias que ficam na memória durante dias. Os efeitos sonoros são igualmente trabalhados — o som do Yoshi a engolir uma criatura, o ruído de páginas a virar entre capítulos, o barulho suave de um ovo-projétil a rasgar o ar. Yoshi and the Mysterious Book é um jogo que soa tão bem quanto parece.

Yoshi and the Mysterious Book — screenshot de gameplay Nintendo Switch 2
Em modo portátil, Yoshi and the Mysterious Book mantém toda a riqueza visual e fluidez

Vale a pena comprar Yoshi and the Mysterious Book?

A resposta curta é sim — mas com nuances que dependem muito do perfil do jogador. Se procura uma experiência de plataformas acessível, visualmente deslumbrante, com uma identidade artística que poucos jogos contemporâneos conseguem igualar, então Yoshi and the Mysterious Book é uma compra difícil de justificar não fazer. É o tipo de jogo que faz lembrar porque as consolas Nintendo existem: para proporcionar experiências que não existem em mais lado nenhum.

Se, por outro lado, procura um desafio técnico à altura dos melhores plataformas da geração, ou uma narrativa com peso emocional real, poderá sair ligeiramente desiludido. A curva de dificuldade é deliberadamente suave, e a fórmula repete-se o suficiente para que a segunda metade do jogo perca algum do impacto da primeira. A €59,99, o preço de tabela standard da Nintendo, o valor está justificado — mas não muito além disso.

A análise Yoshi and the Mysterious Book review Nintendo Switch 2 que a crítica internacional está a fazer esta semana converge num ponto: este é um jogo para toda a família, feito com amor e inteligência, que honra a herança da série sem se limitar a repetir o passado. Para quem tem Switch 2 — ou está a pensar em comprar uma — é uma das razões mais sólidas para o fazer.

Conclusão editorial

Yoshi and the Mysterious Book é a prova de que a Nintendo continua a encontrar espaço para surpreender mesmo dentro de séries que pareciam esgotadas. A Good-Feel construiu um jogo que é, ao mesmo tempo, um brinquedo visual sofisticado e um plataformas de coração quente — uma combinação que raramente erra e que aqui funciona com elegância. O Metacritic de 81 é justo: não é um jogo perfeito, mas é um jogo memorável. Numa altura em que o catálogo da Nintendo Switch 2 ainda está a ganhar corpo, Yoshi and the Mysterious Book posiciona-se como um dos títulos obrigatórios de 2026 — e como um sinal claro de que o melhor ainda está para vir.



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