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Suicidal Tendencies @ Cine-Teatro de Corroios (25.06.2017)

Não há muitas bandas que hoje em dia que consigam reunir punks, metaleiros, skaters, skins e outras tribos urbanas há muito perdidas. Provavelmente porque é cada vez mais difícil perceber o que é um punk ou um metaleiro, já que cristas e guedelhas são visões raras num mundo cheio de cortes de cabelo a emular os dos jogadores da bola.

Nem que fosse só por isso haveria que louvar os Suicidal Tendencies que ontem no Cine-Teatro de Corroios deixaram bem clara a diferença entre uma banda com raízes no punk/hardcore e todas as outras. Não era só a ausência de grades, nem tão pouco os constantes convites para o público subir ao palco. É a própria atitude de Mike Muir, igual ao que sempre foi, com o mesmo ar de quem saiu de um gang mexicano mas com o coração aberto para todos os que quiserem ouvir a sua banda. Porque, apesar de «Send me your money» ser puro sarcasmo, a verdade é que não há fãs de ST, há sim devotos como na igreja de Suicidal. Pouco importa que a banda exista, com algumas interrupções e muitas mudanças de formação, desde 1980 porque comportam-se como se todo o lado fosse Venice Beach nessa altura – menos as cenas de pancadaria.

Por isso, ver um cinquentão como Mike cantar «Possessed to skate» nunca se torna ridículo, da mesma forma que nele, usar uma bandana ou um cap com a pala para cima é a coisa mais natural do mundo. E se ficaram a faltar alguns clássicos como «Institucionalized», «War inside my head» e «How will I laugh tomorrow» são mais do que suficientes para qualquer um dos presentes abandonar o concerto com um misto de satisfação e nostalgia e disposto a dar mais uma chance à próxima banda de meia idade que vier até Portugal. Caso houvesse dúvidas sobre Muir & Cª, começar o concerto com «You can’t bring me down» deu logo o mote para o que vinha a seguir, que no caso de Dave Lombardo, era praticamente um passeio de fim-de-semana.

Antes de Sucidal Tendencies tocou CJ Ramone e a sua banda, que dificilmente se poderia distinguir de uma qualquer de banda de covers por esse mundo fora – com a diferença de saberem escolher melhor o reportório. A abrir as hostilidades tocaram os Reality Slap e os eternamente competentes arautos do hardcore de Linda-a-velha, Trinta e um.



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