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SUPER BOCK SUPER ROCK | Dia 3 (15-07-2017)

Nomes para todos os gostos

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Ao terceiro dia de Super Bock Super Rock voltámos a entrar no recinto um pouco mais cedo, dado que não queríamos perder pitada da actuação de Bruno Pernadas. O autor de “Those Who Throw Objects At The Crododiles Will Be Asked To Retrieve Them” e “Worst Summer Ever”, discos editados em 2016, apresentou-se em autêntico formato big band, coadjuvado por caras bem familiares como Francisca Cortesão, Margarida Campelo ou Afonso Cabral, sem esquecer o bem-disposto trio de metais. Bruno Pernadas usou o termo mais acertado ao agradecer aos presentes por assistirem às suas “odisseias”, porque é de facto aquilo que as suas composições constituem. Longas viagens, ora vertiginosas e acidentadas, ora confortáveis, mas nunca lineares. Temas como «Problem Number 6» ou «Ahhhhh» partem de pressupostos de world music, ao passo que «Galaxy» é uma verdadeira excursão pelo espaço, bebendo igualmente inspiração no imaginário cinematográfico em redor dos recantos mais longínquos do universo, tudo sempre com os salpicos indie emprestados pelas vozes. Uma performance em cheio com um público bastante atento e respeitador a tudo o que ia decorrendo em palco.

SILVA foi o senhor que se seguiu no mesmo palco EDP, sendo uma cara bastante familiar do público português, desde logo por ter adoptado o nosso País como fonte de inspiração para alguns dos seus registos. No entanto, o seu trabalho mais recente foca a carreira de Marisa Monte, podendo a plateia SBSR assistir à estreia destas versões em Portugal. Versões que foram intercaladas com composições originais de SILVA, cujas letras foram sendo cantaroladas fora do palco também.

Após um ligeiro atraso tomou conta do palco secundário o indie-jazz dos TaxiWars, liderados pelo mui amado Tom Barman, que assina aqui o seu enésimo projecto musical. O líder de dEUS acaba por ser o elemento estranho neste quarteto, sendo no entanto aquele que o distancia doutros agrupamentos puramente jazzísticos, e aquele que confere obviamente maior visibilidade ao mesmo, com base no seu currículo. No entanto, as ligações de Barman ao jazz são reconhecidas há uns anos, tendo sido responsável por editar algumas compilações do género. No caso dos TaxiWars a sonoridade é dominada pelos devaneios saxofonistas e pelas sempre originais intervenções de Barman ao microfone, tendo presença bastante irrequieta em palco.

Rumámos seguidamente ao palco Super Bock que, neste último dia de festival, seria inaugurado ao som do indie-pop dos Foster The People. Três anos após a última visita a Portugal, os californianos apresentaram-se em formato quinteto no palco principal. Tratou-se duma prestação bastante enérgica, duma banda extremamente bem oleada, que potencializa, e bem, a sua sonoridade ao vivo através dum maior pendor electrónico. Apesar do pavilhão ter estado apenas meio composto, foi sem dúvida um dos concertos mais bem recebidos, pelo menos a julgar pelas manifestações constantes da plateia, o que demonstra uma boa recepção às novas melodias apresentadas no mais recente registo “Sacred Hearts Club”.

Chegámos ainda bem a tempo ao palco secundário para escutar as sempre agradáveis composições de James Vincent McMorrow. Tendo uma carreira que começou nas profundezas da folk e que foi progressivamente introduzindo elementos electrónicos na sua estrutura, a performance ao vivo do cantautor irlandês oferece um balanço perfeito, como estando no centro do cruzamento entre ambas as correntes. A voz aguda mas nunca perdendo a suavidade, juntamente com os teclados que preenchem docilmente o som, fazem das canções de James Vincent McMorrow verdadeiros algodões doces.

Para ajudar na digestão, logo após uma paragem que serviu para jantar, juntámo-nos às caminhadas sónicas dos Sensible Soccers, que hipnotizaram a massa presente no palco LG. O quarteto vila-condense continua a dar destaque ao seu segundo longa-duração, “Villa Soledade”, sem que tal impeça a rodagem de temas mais antigos. A guitarra de Filipe Azevedo foi a protagonista desta actuação, quiçá arquitectada para uma moldura festivaleira, servindo de bússola à nave espacial dirigem galáxias adentro. Se a tarde iniciou com as odisseias de Bruno Pernadas, tal vocábulo encaixa igualmente na perfeição nos Sensible Soccers.

Entretanto, no palco EDP, registava-se provavelmente a maior enchente do mesmo nas três edições até agora decorridas no Parque das Nações. Tal como prometido, Seu Jorge reproduzia as versões de David Bowie que inicialmente concebeu para o filme “Life Aquatic” (ou “Um Peixe Fora de Água” em Portugal”), interpretadas em português. Foi pena que a junção de tamanha assistência com a natureza acústica do concerto tenham redundado numa precária audição do mesmo, dado ser impossível controlar o burburinho popular, possivelmente amplificado às custas da pala.

Para encerrar o palco Super Bock nesta 23ª edição do SBSR foi escolhido o nome de Fatboy Slim, nome grande das electrónicas, que explodiu no final da década de noventa, após um disco de estreia que passou bastante despercebido.  Foi a época dourada da big beat, impulsionada fervorosamente pela editora Skint, e o veterano músico Norman Cook mostrava-se um mestre nesse tipo de criação. E quem consegue resistir a faixas como «Going Out of My Head», «Right Here, Right Now», «Star 69» ou o êxito planetário «The Rockafeller Skank»? Um dos problemas é que, além dessa época dourada já ter esgotado há muitos calendários, Fatboy Slim não limita o seu set ao seu espólio, fazendo ouvir temas de nomes tão díspares e inusitados como Queen, Ramones ou House of Pain. E, em nossa opinião, tal opção fere gravemente a sua qualidade.

Depois de mais uma ida às boxes, para retemperar o corpo para o derradeiro troço do festival, subimos à sala do palco Carslberg, numa final onde reinaram as batidas potentes do britânico Marquis Hawkes, numa prestação que soou demasiado homogénea, e da também britânica Monki, responsável pela editora Zoo Music.

Chegávamos então ao término de mais um Super Bock Super Rock, que abrigou nomes para todos os gostos, e ficamos à espera de notícias acerca do próxima edição, que a organização promete ser especial devido aos 20 anos da Expo, lar do actual SBSR. Até Julho de 2018!



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