Sala 1 – Câmara de Gás – Teatro Rápido Setembro 2013 – Foto de Mário Pires

Teatro Rápido | Setembro 2013

Naquele que poderá ter sido o último dia de férias de muitos portugueses, domingo, 1 de Setembro, aconteceu a estreia das quatro micropeças que vão (pre)encher as quatro salas do Teatro Rápido (TR) até ao dia 30 de Setembro.

Sala 1 – Câmara de Gás + info

Dois homens, 2406 e 3405. Sem nome, apenas números. Num espaço mínimo, uma câmara escura. São números e cada um deles veste o papel de dois grandes «fantasmas» da humanidade: o conhecimento e a fé. Em tensão, discutem sobre o que os levou até ali e aquilo que os espera. O momento presente só lhes pede um abraço – serão eles capazes de estender a mão um ao outro?

Há um terceiro actor, mas que não chega a estar “em palco”: ELES. Eles não querem que se pense, nem se acredite nem se vá para além da “ordem” (natural das coisas). Eles recusam a imaginação – e é por isso que não nos querem de olhos fechados, para evitar que se imagine e se sonhe com algo diferente. E, por vezes,  eles não somos nós?

Ricardo Figueira e Luís Aguiar interpretam um texto escrito e encenado por David Corronha, que lança questões: «Daqui a 200 anos aquilo que conhecemos por sociedade será muito diferente de hoje? Serão os seres humanos apenas números sem identidade?»

Câmara de Gás leva-nos a imaginar um futuro, mas sobretudo a reflectir sobre o aqui e agora:  onde se encontra a identidade de cada um de nós? Somos capazes de abraçar  – e de ser abraçados?

Sala 1 – Câmara de Gás - Teatro Rápido Setembro 2013 - Foto de Mário Pires

Horário das sessões: 18h00 | 18h30 | 19h00 | 19h30 | 20h00
quinta a segunda | M/16 | 3€
Texto e Encenação: David Carronha
Interpretação: Ricardo Figueira e Luís Aguiar

 

Sala 2 – A Ponte na Califórnia + info

Rita Miranda adaptou um conto de Teolinda Gersão;   Elisabete Pedreira é a actriz que encontramos, em monólogo, na sala 2. Ela é mãe e filha e a sua personagem vive um intervalo entre um colete de forças e uma blusa branca e inocente, com uma gola redonda e manga curta.  Conta-nos memórias da  separação dos pais, confessa a tristeza de uma infância abandonada até que um cão entra na(s) sua(s) vida(s). Mas o cão, Tilby, acaba ele próprio abandonado, num mês de férias.

A filha viveu algum tempo na esperança de que o Tilby voltasse: a mãe disse-lhe que o tinha deixado num canil, durante as férias, e que o animal teria fugido.  Ao descobrir a verdade, a filha teve que viver com uma realidade até então desconhecida:  « Ir para a escola passou a ser imensamente penoso, mas não era o pior de tudo. O pior de tudo era voltar para casa.Olhar a minha mãe e saber que ela era má».Com um bandido por pai e uma mãe má, o que lhe resta?

A Ponte na Califórnia alerta para a questão do abandono dos animais: quem nunca viu cães e gatos a deambular pelas estradas, perdidos, em busca do caminho para casa? E quem nunca sentiu que um desses animais o escolheu para o seu fiel amigo – de tal forma que nos sentimos “obrigados” a adoptá-lo no nosso lar?

Parabéns à equipa por ter levado a cena um tema tão delicado com tamanha sensibilidade e, ao mesmo tempo, força.

Sala 2 – A Ponte na Califórnia - Teatro Rápido Setembro 2013 - Foto de Mário Pires

Horário das sessões: 18h05 | 18h35 | 19h05 | 19h35 | 20h05
quinta a segunda | M/12 | 3€
Adaptação dramatúrgica de um conto de: Teolinda Gersão
Dramaturgia e Encenação: Rita Miranda
Interpretação: Elisabete Pedreira

 

Sala 3 – Natália + info

Natália Correia faria 90 anos no dia 13 de Setembro. Mas está, de certa forma, de regresso, com este projecto de Renato Pino, que coloca Teresa Côrte-Real no papel da Loba. «A gente só nasce quando somos nós que temos as dores»

«Não tenho mau feitio só não tenho o feitio que os outros esperam de mim» – Natália é homenageada no “palco” da sala 3, com a actriz Teresa Côrte-Real a vestir a garra, a ironia, a língua afiada de uma mulher que teve a coragem de… ser mulher e, ainda por cima, nasceu com cérebro.

Para quem tem memórias da poeta e activista, estes 15 minutos são uma viagem ao passado. Para quem não tem registos desta mulher, a peça, escrita por Renato Pino, torna-se numa bela “desculpa” para descobrir quem é(ra) Natália.

A interpretação de Teresa Côrte-Real é notável e faz-nos tomar consciência da actualidade das palavras de Natália, que faleceu há 20 anos.

Sala 3 – Natália - Teatro Rápido 2013 - Foto de Mário Pires

Horário das sessões: 18h15 | 18h45 | 19h15 | 19h45 | 20h15
quinta a segunda | M/12 | 3€
Texto: Renato Pino
Encenação e Interpretação: Renato Pino e Teresa Côrte-Real
Apoio Artístico à Encenação: Carlos Avilez e João Vasco

Sala 4 – Lola la’spanhola + info

Musical erótico para maiores de 16. Sim, considerem-se desde já avisados: é uma peça com bolinha vermelha no canto superior direito. E com uma bola de espelhos no canto inferior esquerdo. E um actor, Alberto Sogrob, em monólogo, a dar vida a um espaço mínimo de representação, onde toca, canta e dança – em cima de uns saltos invejáveis, confessemos!

Lola é um rapaz espanhol, que procura trabalho em Portugal. Está preso numa vida que não é a dele e é Lola, a espanhola, quem o vai ajudar a encontrar-se.

O trabalho é baseado numa estória real – a de Alberto – e tem a direcção de Martim Pedroso. É uma declaração de intenções: sim, Alberto está à procura de trabalho e é “isto” que sabe fazer melhor: representar. Sim, Alberto não tem namorada e parece mesmo que as meninas podem «tirar o cavalinho da chuva», como diz o povo.  Em quinze minutos, Alberto (ou melhor, Lola), conta-nos um pouco do seu caminho pessoal (e profissional) até chegar à sala 4 do TR. A não perder.

Sala 4 – Lola la’spanhola - Teatro Rápido Setembro 2013 - Foto de Mário Pires

Horário das sessões: 18h20 | 18h50 | 19h20 | 19h50 | 20h25
quinta a segunda | M/12 | 3€
Texto e Dramaturgia: Alberto Sogorb
Direção Artística: Martim Pedroso
Criação Musical Original e Interpretação: Alberto Sogorb
Cartaz e Design Gráfico: Sónia Vivancos e Alberto Sogorb

 

No mês de despedida do Verão regressa também o teatro para a infância, em novo horário: Voltas, Piões, Berlindes e Botões e Octávio de Olhos Fixos  são as propostas para os miúdos (e graúdos que os acompanharem). A estreia acontece no dia 7 de Setembro, sábado, a partir das 15h. Também no dia 7, mas à noite, regressa o espectáculo de Eduardo Gaspar,  Elas sou eu, no TR Bar.

 

Fotografia de Mário Pires

 



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