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Teatro Rápido

O conceito foi importado de Madrid, do Teatro por Dinheiro, e foi «posto em cena» por Alexandre Gonçalves e a sua equipa. Falámos com Andreia Madeira e com os actores que traduziram o tema "Com Orgulho" em quatro peças, com a duração de 15 minutos cada uma

O Teatro Rápido surge com o propósito duplo: de possibilitar um espaço para os actores trabalharem e apresentarem projectos próprios, ao mesmo tempo que tenta chegar a um público que não tem o hábito de ir ao Teatro. “Conseguimos chegar a um público ecléctico: a mãe que sai do trabalho e vem ver uma peça antes de voltar para casa, os amigos que combinam um café no centro de Lisboa e acabam por vir espreitar o Teatro.” O Teatro Rápido apresentou, nos meses de Maio e Junho, uma peça dedicada ao público infantil, abrindo assim as portas a toda a família.

Com entusiasmo, Andreia contou-nos como se apaixonou por este projecto e como têm vindo a chegar propostas de actores para integrar a programação do Teatro Rápido.

“Acabam por surgir sinergias curiosas; há actores que já se conhecem e outros que se cruzam aqui e começam, por isso, a projectar trabalhos em equipa. E isso é muito gratificante”. Todos os meses há um novo tema. “Abrimos as portas com a Felicidade, em Maio, andámos Em Brasa, no mês de Junho – motivados pelas Festas de Lisboa e os Santos Populares – e agora é o mês do Orgulho”.

“Não vou ao Teatro porque não tenho tempo” – deixou de ser desculpa. Bastam quinze minutos, um pulo até à Rua Serpa Pinto (fica ali mesmo perto do Metro Baixa-Chiado), três euros na carteira e disponibilidade para ouvir uma história. O espaço alberga ainda um bar onde se servem bebidas e refeições, revelando-se num espaço agradável para rapidamente (ou não) dar dois dedos de conversa com os actores que por ali passeiam, nos seus momentos de intervalo.

É também no espaço do bar que podemos encontrar uma exposição, que se alinha na temática do mês em curso. Neste momento podemos apreciar os trabalhos do fotógrafo Paulo César.

Falámos com os actores sobre a sua experiência de Teatro Rápido, uma vez no papel de espectadores; para Sofia Baltar, “um aspecto muito positivo é o facto de haver um lado intimista, podemos ver a verdade do actor.” Anaísa Raquel salienta a forma como este conceito de Teatro permite tornar natural às pessoas a própria ida ao teatro; Pedro Cunha considera que assim é possível captar um público que nunca vem ao Teatro.

No Teatro Rápido, tudo é fugaz (o tic tac do relógio não pára!), mas intenso. Para os actores, o desafio consiste em representar seis vezes por dia, de quinta a segunda, num ritmo intenso, mas que lhes dá muito prazer. “Todas as histórias têm princípio, meio e fim”. E é possível contar uma história em quinze minutos. E deixar-se absorver por ela.

Na sala 1 podemos assistir a uma peça escrita por Sofia Baltar e interpretada pela própria, na companhia de Rita Sotto-Mayor. Com encenação de Dmitry Bogomolov, “Traíste-me e morreste ou morreste e traíste-me?” (foto do artigo) apresenta-nos o dia-a-dia (ou serão os dias?) de uma mulher fechada num quarto e em si mesma, incapaz de conviver com os outros. Para Sofia, o texto presta-se à repetição diária: “a personagem está sempre a voltar ao princípio, numa espécie de looping.”

 

 

Já na sala 2 podemos assistir à interpretação de “Texto para Novembro”, pelo actor Simão Luís. O texto é de José Maria Vieira Mendes e esteve em cena no Teatro São Luiz, em 2010. A peça foi adaptada do seu formato original para o conceito de micro-teatro. “José Maria Vieira Mendes é um grande dramaturgo e foi de uma grande generosidade adaptar o texto para este projecto”, diz-nos Simão Luís. “Eu sou o cavaleiro analfabeto” – ouve-se, a dada altura, durante a peça. Não perca a oportunidade de conhecer a luta deste cavaleiro.

 

“Seis… quase meia” apresenta-nos “um casal que vive numa situação limite, um casal com o qual eu ou tu nos podemos cruzar na rua, nos dias de hoje”, diz-nos Anaísa Raquel, a actriz que nesta peça contracena com Pedro Cunha. Na sala 3 o clima é intenso e duro. Com encenação de João Ascenço a peça abre-nos uma janela para uma realidade onde “o orgulho se revela na primeira resposta numa situação como esta que aqui retratamos”, diz-nos Anaísa. A actriz salienta a forma como o Teatro Rápido se apresentou como o tempo e o espaço oportunos para poder trabalhar lado a lado com Pedro Cunha.

 

“Sobre o orgulho e a impossibilidade de andar” é a única peça que apresentar o tema do mês no seu título. Carolina Matias e Tomás Tojo criaram, dirigiram e interpretaram uma peça onde o branco e a sombra se confundem. Na sala 4 fala-se em andar para a frente, diz-nos Tomás Tojo. A peça apresenta uma vertente tecnológica que não se sobrepõe ao texto, nem à interpretação, mas que intensificam a forma e o conteúdo daqueles.

Depois de Londres, Madrid e Nova Iorque, o conceito de micro-teatro instalou-se no coração de Lisboa. O Teatro Rápido poderá ser visitado entre as 18h e as 20h30m, de quinta a segunda-feira. Da programação do Teatro para o mês de Julho fazem parte ainda noites de comédia de improviso, karaoke, música, lançamento de um livro, poesia e muito mais. Sempre Com Orgulho.



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