thebeths_@rafaelfilipefarias1

The Beths @ LAV (17.10.2025)

Concerto de Sexta à noite.

Elizabeth Stokes, na voz, Jonathan Pearce, na guitarra, Benjamin Sinclair, no baixo, e Tristan Deck, na bateria. Eis os Neo Zelandeses, The Beths, de Auckland, e que nos visitam vindos bem de perto dos nossos antípodas, para nos apresentarem o seu mais recente “Straight Line Was a Lie” e certamente visitarem os três álbuns anteriores, mesmo que de forma mais cirúrgica ou pontual.

É uma noite concorrida no LAV, que para além dos The Beths, que actuam na Sala 2, recebe também os Lacuna Coil na sala principal. O foco aqui está nas letras agridoces, íntimas e pessoais de Elizabeth Stokes, sempre apresentadas com uma roupagem indie e pop, com cordas de guitarra e baixo, que tornam quase todas as canções candidatas a single, conseguindo em simultâneo manter um espírito próprio, umas vezes com um toque etéreo, mas sempre melódico e aqui e ali com um doce travo de melancolia.

Cabe aos Dateline, de Wellington, abrir para os seus compatriotas, numa toada mais rock (e punk também) como faz questão frisar Katie Everingham, a vocalista, logo ao início. A restante banda é composta pelo baterista Hikurangi Schaverien-Kaa, pelo guitarrista Reuben McDonald e a baixista Phoebe Johnson. Entre canções professa-se admiração pela ponte 25 de Abril, a tristeza de regressar a casa, que se confunde com as saudades da família e o regresso ao trabalho. São vidas. E depois disto lançam-se a «Was It Worth It». Coesos.

Aqui não há roadies. Há amor à camisola. Há espírito de entreajuda. Os The Beths abrem com o tema título do último álbum, «Straight Line Was a Lie», o que vai de encontro ao que se disse antes. Tudo é um potencial single! Segue-se «No Joy» num contraste absoluto entre as palavras e toda a restante canção. Deliciosamente provocante. Os The Beths não são com certeza a melhor banda do mundo, nem o ambicionam ser, mas são bons e competentes no que fazem, e isso fica bem patente em «Silence Is Golden», «Future Me Hates Me» ou na metáfora simples e bem executada que é «Metal».

Depois de «Til My Heart Stops», há um agradecimento aos Dateline e uma referência aos desafios e às dificuldades que fazer uma tour europeia, sendo uma banda pequena da Nova Zelândia. «Mother, Pray for Me», surge despida e simples, igual a si própria, a assumir sem pudor o seu papel de balada.

«Your Side» antecede «Uptown Girl», a segunda passagem por “Future Me Hates Me”, e a antecâmara do momento em que a banda é apresentada, os agradecimentos são feitos, bem como o apelo à compra de merch. De seguida vemo-nos envoltos por «Mosquitoes», canção sobre a NZ, (mais uma) belíssima, simples e despretensiosa que integra o novíssimo “Straight Line Was a Lie”, tal como «Roundabout», sobre um amor estável e constante.

Mesmo antes do encore, com «Take», escutamos «Little Death», «I’m Not Getting Excited» e «Expert in a Dying Field», cada uma de um dos três álbuns anteriores, como que a lembrar que houve todo um caminho que foi trilhado até este momento, com altos e baixos, mas sempre com uma vontade inabalável, que continua a capacitar os The Beths de fazerem canções bonitas, e de cruzarem meio mundo e no hemisfério contrário, para as partilharem connosco no melhor sítio possível: em cima de um palco.

Fotos cedidas pela Pic-Nic e da autoria de Rafael Farias.

 


There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This