“Triplo” | Ken Follett

“Triplo” | Ken Follett

Quem disse que um agente secreto não pode ser tímido?

Para quem tem seguido a carreira literária de Ken Follett, o ponto de partida de “Triplo”, um original de 1979 com reedição pela Editorial Presença, não será novidade. Follett tem por hábito pegar num fragmento da realidade e, a partir daí, dar livre curso à imaginação, criando thrillers intrincados onde as artes da espionagem e da contra-espionagem andam de braço dado até muito perto da página derradeira.

No caso de “Triplo”, Ken Follett parte de um acontecimento ocorrido no ano de 1968 quando, de um navio em alto mar, desapareceram misteriosamente 200 toneladas de urânio, quantidade suficiente para construir 30 armas nucleares. Suspeitou-se de uma manobra dos israelitas, então na corrida com o Egipto pela primeira bomba nuclear no Médio Oriente, mas o que é facto é que o incidente permanece, até hoje, como um dos grandes contos de fadas da espionagem.

Quando Peter Borg, o chefe da Mossad, se vê privado de um dos seus agentes no terreno, a causa israelita parece perdida. O Egipto, com a ajuda da União Soviética, está perto de conseguir construir a primeira bomba nuclear. Desesperado, Borg aposta na sua última e mais valiosa carta: Nat Dickstein.

Nat Dickstein é o melhor agente ao serviço da Mossad: inteligente, criativo e muito bem-parecido, habitualmente avesso a receber ordens como forma de salvar a pele. Qualidades que fariam dele um potencial 007, isto se não fosse a grande timidez. A missão de Nat é simples, pelo menos em teoria: fazer com que Israel vença a corrida ao armamento nuclear, conseguindo desviar uma quantidade absurda de urânio. O problema é que o urânio não é algo que se possa transportar no bolso ou dentro de uma mala, tendo Nat de se chegar à frente com um plano que, de tão impossível na aparência e na execução, até pode ser que resulte. E até conta com a ajuda de uma mulher meio inglesa, meio árabe, de lealdade muito duvidosa. Mas irresistivelmente atraente.

No seu encalço estarão dois agentes, com personalidades e métodos distintos, mas a mesma sede de impedir que Nat tenha sucesso: David Rostov, do KGB, metódico e letal, para quem a família é uma coisa boa desde que tomada em doses pequenas; e Hassan, uma agente em ascensão nos serviços secretos egípcios, que finge ser pouco perspicaz de modo a conseguir os seus intentos.

Adicionando uma pitada de romance a um thriller que viaja em alta velocidade, Ken Follett oferece-nos um excelente retrato do mundo da espionagem na década de 1960, feito de beijos, abraços e muitas facadinhas nas costas.



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