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Virgem Suta @ Cabaret Maxime

Tomo conta desta tua casa!

Pode até nem ser unânime a ideia do agrado do público por bandas que, no seio do underground nacional, têm diluído o lado mais castiço da cultura popular/tradicional com a pop, mais ou menos, conceptual. Todavia, é na emergência de novas convivialidades que as rupturas com a génese já estabelecida ganham outros sabores, significados ou mesmo roupagem.
 
Virgem Suta poderão ser, a par de mais alguns e à sua maneira, a congregação dos vários significados dessas extensões sónicas,de magia e verdade mais popular com o revigorar, expresso nas suas letras, de alguma hábil abertura e atrevimento.
 
A estreia da dupla de Beja – Jorge Benvinda (voz/guitarra) e Nuno Figueiredo (guitarra/coros) -, no passado dia 28 no Cabaret Maxime, foi bem aceite pelo imenso público presente e deu espaço a uma desenvoltura e interacção que, não esmorecendo, nos fizeram sentir na “sua” casa ao longo de todo o concerto.
 
Num cenário a meia luz , o Cabaret foi tudo menos o que a conotação do desígnio lhe faz transparecer; por ali revisitaram-se bairros antigos («Tomo conta desta tua casa»), serviu-se vinho («Ressaca») e pôs-se o público a entoar («Dança de Balcão»).
 
Nesta noite o fado foi de outra índole. Não adormeceu ou susteve aplausos em sinal de respeito.
 
Virgem Suta fez da “canção confissão” partilha e ofereceu isso ao “seu” público que, cúmplice, lhe retribuiu entre palmas a compasso em «Linhas Cruzadas» e coros, em «Dança de Balcão».
 
No ambiente algo familiar, caixas de cartão sobrepostas, um relógio improvisado e uns utensílios tradicionais dispersos davam ânimo e alguma originalidade que favoreceram (qb) tanto o rompimento do lado mais directo e libertino, como o cruzamento dos episódios Virgem Suta e a sua transmissão a toda a sala lisboeta.

E se no início, como que pedindo licença ao entrar naquela casa que poucos minutos depois passaria a ser a sua casa, o fizeram receosos com «Mula da Agonia», pouco tempo depois já ninguém notaria que eram eles a dupla que, na revelação do prazer em tocar ali, pela voz de Jorge Benvinda, se nos apresentaram de mansinho.
 
Ainda assim, se «Assim Sim» caía em graça pela falta de contundência de Jorge Benvinda (“vou tentar não esquecer, de novo, a letra”, brincava já bem mais descontraído) «Vóvó Joaquina» no final, com a já enfadonha piada, alusiva a Michael Jackson, soou a descontextualização que teria sido dispensável.

No encore, um punhado de boas combinações e uma atitude performativa vivaz, que engrandeceria  com a repetição de «Tomo conta desta casa». E, grosso modo, tomaram mesmo!



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