Vodafone Paredes de Coura 2015 | Dia #1 (19-08-2015)

Vodafone Paredes de Coura 2015 | Dia #3 (21-08-2015)

O festival que explode corações (a terceira parte de um diário que fica para sempre na memória)

O terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura prometia muitas aventuras. Depois de dois dias continuamente intensos, cheios de amor patrocinados por boas bandas sonoras, eis que a preguiça invadiu os corpos e a constipação permanecia incurável. Ainda assim regressámos ao Sport Clube Courense para mais um banho que nos salvou a vida. Depois de uns retratos de bancada, retomámos o rumo até à encosta natural. O sol penetrava a nossa pele e queimava. Ao caminhar, víamos o pó como reflexo de euforia e de bons momentos. Queríamos ainda mais e tivemos.

No palco Vodafone FM era Nicole Eitner and The Citizens que abriam as hostilidades. Por mais talentosa que seja, achámos que o seu repertório estava bastante descontextualizado do alinhamento festivaleiro. Por mais simpática que ela possa ser, não nos pareceu estar à vontade com o público nem com o local. Todavia, desejamos-lhes muito sucesso com um sorriso no rosto.

Os X-Wife subiram ao palco Vodafone, agradecendo o facto de regressarem àquele local e tentando “tocar o maior número de canções em 40 minutos”, partilhou João Vieira. A banda portuense que planeia editar ainda este ano mais um disco, revisitou todos os seus trabalhos discográficos de onde foram retirados os êxitos «Keep on Dancing», «Fireworks», o electrizante «Fireworks» e «Ping Pong». João Vieira e companhia prometem sempre bons momentos e cumpriram. Aliás, já tínhamos saudades de assistir a momentos ao vivo como este. Fica a nota: numa próxima vez que os convidem para um festival, coloquem-nos num horário mais tardio… Teria ficado melhor.

Embora a afluência de pessoas fosse menor relativamente ao dia anterior, ainda foram muitos aqueles que esperaram por Allah-Las. A banda de rock que se inspira nos anos 60, quer na forma como tocam, quer no seu outfit, não nos aqueceu o coração. Demos por nós dispersos a olhar com olhar hipnotizante para os vídeos que os acompanhavam e para a plateia.

Arriscamos a dizer que, em termos de coerência com os momentos que se seguiram, os X-Wife deveriam ter tocado à hora de Mark Lanegan, e este, no horário de X-Wife. O veterano e quase recordista em múltiplas colaborações musicais apresentou-se em modo “parado paradinho”, exibindo as canções do seu mais recente trabalho “Phantom Radio”, mas também presenteou o público com alguns temas mais antigos. A sua voz fez-se rugir vinda de uma caverna e a iluminação permanentemente vermelha fez com que «Hit The City», «Harvest Home» e «Atmosphere», em homenagem aos memoráveis Joy Division, ficassem gravadas no nosso imaginário.

Aproveitámos a boleia dos norte-americanos Merchandise para parar na loja de merchandising oficial do festival para comprar um casaco de recordação. Piada fácil! Sim, porque por mais que quiséssemos avistar a banda, a missão era impossível por estar um oceano de gente. Por isso, continuámos a andar à procura do melhor local para ver aquele que foi o Rei do Festival!

Sem mais demoras, Charles Bradley fez jus ao seu nome, ao seu power soul, a si mesmo e ao local onde estava. Acompanhado pelos seus His Extraordinaires, o cantor que só em 2011 lançou o seu primeiro disco mostrou-se visivelmente emocionado desde o primeiro momento em que pisou o palco. Charles Bradley parece um veterano de guerra musical: durante anos imitou James Brown (e as semelhanças vocais são muito notórias), acabou também por viver na rua e tornou-se cozinheiro. Agora é um herói sobrevivente desta luta de comando transformando o público em seus irmãos e irmãs e verbalizando várias vezes o quanto nos amava. Foi com toda uma orquestração bélica de guitarras, teclados2 e metais que escutámos «Lovin’ You Baby», «Let Love Stand a Change», entre outras canções de amor. Bradley ainda proclama “Posso ser sexy? Posso ser nasty?”, enquanto nos encanta com «Confusion», terminando o seu espectáculo junto às grades, cumprimentando com abraços calorosos todos os presentes. Conclusão: ainda hoje, passados estes dias, sonhamos com este concerto. Queremos mais! Queremos mais!

Para concluir o dia, mais um concerto que dividiu opiniões. Os The War On Drugs poderiam ter sido perfeitos, na nossa opinião. Contudo, o meio envolvente – entenda-se sobrelotação de público – fez com que tudo se perdesse. Este era daqueles concertos para se escutar sentado durante as baladas ou euforicamente em canções como «Red Eyes» ou «Under The Pressure». Mas não as conseguimos celebrar na melhor forma. Nesta guerra não há culpados, nem mortos nem feridos. É mesmo com muita pena que dizemos que Adam Granduciel poderia ter saído vitorioso se não se tivesse esticado no comprimento das canções tornando-as um pouco aborrecidas. Valeu pelos rasgos de guitarras, pela voz fiel e por nos ter dado o ar da sua graça. Entretanto vou ali pôr o disco a tocar…

Temos a certeza de que o Rio Taboão se encontra feliz, em alegria plena. Teve muitos abraços e mergulhos durante o dia. E durante a noite, ao longo das suas margens, também ouviu confidências. Da nossa parte, regressámos à tenda com muitas memórias (e das boas) difíceis de esquecer e de aquietar.



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