X-Wife

Finalmente o aguardado álbum de estreia da banda vê a luz do dia.

O ano de 2003 foi um ano marcante no que diz respeito às pistas de dança em Portugal e um pouco por todo o mundo. O House repetitivo começava a fartar alguns espíritos mais inquietos e inconformados, não trazendo nada de novo àqueles que, durante muitos anos faziam da noite o seu habitat. Os DJ´s eram sempre os mesmos e, salvo raras excepções, não conseguiam transportar para as pistas de dança aquele fulgor habitual.

Era quase obrigatório encontrar novas soluções para um público sedento de novas experiências e atento às novas tendências. A música mundial começou a descobrir o “electro”. Nomes como DJ Hell ou Peaches começaram a animar as pistas com guitarras e programações frenéticas criando um ambiente retro-pós-moderno que foi do agrado daqueles que procuravam uma solução e um escape às batidas repetidas do house.

Em Portugal surge vindo de Londres um DJ que rapidamente criou um movimento enorme em seu redor. João Vieira, também conhecido como DJ Kitten, é já para muitos um nome de culto das pistas de dança. As festas que organiza (Club Kitten) são um autêntico sucesso e as suas escolhas vão desde David Bowie aos Liars.

Começou a trabalhar em Londres como DJ e a “beber” influências de uma cidade cheia de contrastes e de tendências. Veio-lhe a ideia e a vontade de ter uma banda que remontasse aos tempos vividos na capital Inglesa.

Finalmente conseguiu realizar o seu sonho e criou um projecto que alia o electro ao rock e não é mais que um revitalização do legado pós-punk, que ficou durante muitos anos escondido e que agora está a surgir com uma força impressionante.

Os X-Wife são compostos por João Vieira na voz e guitarra, Fernando Sousa no baixo e Rui Maia nos sintetizadores e programações. Como os The Strokes, antes de apresentarem o seu primeiro álbum de originais, lançaram um EP de 3 faixas (“Rockin’ Rio / Eno / We are”) muito forte, que deixou uma grande vontade de conhecer ainda mais este projecto único em Portugal. Conseguiram bastante airplay nas rádios com “Rockin’ Rio” e o seu EP foi considerado pela crítica como um dos melhores do ano, antevendo um grande álbum previsto para sair ainda durante o ano de 2003.

Provavelmente, o adiar da edição do álbum criou ainda mais expectativa e ansiedade mas, aliado a este facto negativo, a qualidade e ambição do mesmo marcam da melhor forma o início de 2004, antevendo um ano bastante mais positivo em termos de edições discográficas.

A verdade é que estando enquadrados e podendo ser comparados com bandas como os Liars, Yeah Yeah Yeahs ou The Rapture, os X-Wife em nada ficam a dever aos seus mais mediáticos parceiros anglo-saxónicos. “Feeding the Machine” é, em primeiro lugar, um álbum inteligente. Encontram-se presentes as três faixas que estavam incluídas no EP de estreia e as oito faixas restantes em nada ficam a dever àquelas que já são conhecidas. Os elementos encaixam na perfeição, mostrando grande coesão e profissionalismo conseguindo intercalar os temas mais conhecidos e que fazem parte do EP de estreia, com as outras faixas do álbum.

Não é possível encontrar uma faixa mais fraca em todo o álbum, devido à grande homogeneidade conseguida em todo o registo. Obviamente, para quem não conhece a banda, as faixas mais “orelhudas” são aquelas que compõem o EP de estreia e são provavelmente a melhor forma de entrarem em contacto com o universo dos X-Wife. Para os outros, que querem descobrir a banda para além do “Rockin’Rio”, destacamos três faixas: “New Old City”, “Fall” e “Taking Control”.

A primeira das três citadas anteriormente é curiosamente a faixa que abre o álbum e é um perfeito cartão de visita para o mesmo e para os X-Wife. O próprio título do tema é significativo da mensagem inerente; “New Old City” transporta-nos para a forma como a banda pretende se situar a nível musical e a nível pessoal.

“Fall” é a terceira faixa do álbum. Tem um ritmo impressionante e consegue mostrar todas as potencialidades e a versatilidade do trio. A fechar o álbum encontramos “Taking Control”, a maior faixa do álbum, onde os sintetizadores e a “maquinaria” tomam controlo do tema criando um perfeito fim para um disco essencial neste início de ano.

Ainda sobre o álbum, é importante realçar que foi masterizado em Londres por Noel Summerville, o mesmo de “Elephant” dos White Stripes e produzido pela própria banda. A apresentação e grafismo estão também excelentes, ajudando assim à criação de um grande álbum que poderá marcar uma nova era na música moderna portuguesa.

Os X-Wife têm tudo para ter um futuro brilhante à sua frente, tanto em Portugal, como no estrangeiro, onde os temas da banda encaixam como uma luva no panorama musical existente.

Não os percam de vista porque o futuro da música portuguesa provavelmente começa aqui. Preparem-se para “dar de comer à máquina” que tem estado esfomeada.



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