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X-Wife @ TMN ao Vivo | 10 de Maio

10 anos passaram rápido como o catano!

Quando em 2003 ouvi pela primeira vez o EP “RockIn’Rio”, recordo-me de ter pensado “quem são estes gajos? Isto não deve ser Português.” Pouco tempo depois verifiquei que estava errada e que o trio formado por João Vieira (voz e guitarra), Rui Maia (teclas e sintetizadores) e Fernando Sousa (baixo) preparava-se para editar o seu primeiro LP, “Feeding Machine”. Passados 10 anos, com quatro discos editados, mais de 250 concertos realizados em toda a Europa e América do Norte, os X-Wife são muito mais do que uma banda com um nome. A qualidade está em sintonia com o grupo e continuarão, sem dúvida alguma, a somar pontos na história da música portuguesa. Quer se goste, quer se odeie.

A palavra de ordem: festa. Muita festa! Foi com esta temática e intenção que o grupo quis assinalar o seu 10º aniversário brindando os seus seguidores e admiradores de longa / curta data com um concerto no espaço TMN ao Vivo no passado dia 10 de Maio. A noite prometia muitas surpresas no alinhamento, pois o grupo anunciou a presença de quatro músicos de renome a nível nacional, e também o revivalismo dos 10 singles extraídos ao longo destes anos de carreira.

O concerto teve início com «New Old City», o primeiro single retirado de “Feeding Machine”, lançado em 2004, continuando com «Fall» e «Eno». “Decidimos começar mesmo pelo começo, pelo nosso primeiro álbum. Obrigado a todos por terem vindo a esta celebração e para nós é uma festa muito importante” foram as primeiras palavras de João Vieira para o público.

Eis que surge o primeiro grande momento da noite. Paulo Furtado (Wraygunn e The Legendary Tiger Man) foi o primeiro a juntar-se ao trio para interpretar e tocar a canção «Action Plan». A amizade entre Paulo Furtado e os restantes elementos é de longa data, pois a primeira tour que os X-Wife fizeram, a “Station To Station”, foi a convite do próprio Paulo Furtado. Mas o mais bonito foi assistir à elevada cumplicidade existente, levando a que todos ficassem surpreendidos e admiravelmente agradados. Foi um momento maravilhosamente único.

Passamos agora para o segundo álbum do grupo – “Side Effects” – lançado para o mercado em 2006 e que consolidou o sucesso da banda. Foi também a partir deste álbum que contaram com a presença do baterista Nuno Sarafa, que subiu ao palco e manteve-se presente durante todo o concerto. «Ping Pong», «Realize», «When The Light Turn Off», «Turn It Up» foram as canções interpretadas no alinhamento. O calor, esse maldito, já se fazia sentir, mas o público mantinha-se alegre e satisfeito, cantarolando as músicas e entregando-se a um pézinho de dança (leia-se abanar o corpo ao de leve e batendo o pé).

Chegando a meio da cronologia, o convidado especial que se juntou ao grupo é outro amigo de longa data e que actualmente tem garantindo o seu sucesso com um novo projecto musical. Já todos deverão ter ouvido falar de André Tentugal (We Trust) que, para além da Música, trabalha como realizador. Foi com essa função que rodou o videoclip «Heart The World» e, passados quatro anos do lançamento do disco “Are You Ready For Black Out?”, se junta para a interpretar em palco. Seguiram-se as músicas «Behind Doors», «Headlights» e «Fireworks» que apontou para outro momento alto em que o público vibrou e pulou fervorosamente.

Quarta e última parte deste percurso, pois passamos para “Infectious Affectional” – o quarto disco da banda lançado o ano passado – com «I Live Abroad». O outro convidado especial a juntar-se aos X-Wife foi Tó Trips (Dead Combo) que irrompeu para o palco pelo meio do público. “Peço uma salva de palmas para estes rapazes. Sou fã destes cabrões há 10 anos!” disse Tó Trips antes de interpretar «Take It On Me», uma canção onde o rock nos fez arrepiar e desejar que aquele momento nunca acabasse. Puro momento de Fuck Yeah! Na tentativa de recuperar o bom momento que se viveu, João Vieira fala de «Let’s Retaliate», que é um tema inédito e tocado para esta ocasião especial, e seguiu-se «Keep On Dancing». O último convidado da noite tratou-se de uma voz feminina. Ana Bacalhau (Deolinda) juntou-se para interpretar «Across The Water» e de facto trouxe uma nova roupagem à música. Para terminar, «That’s Right», a música com que costumam encerrar os concertos nesta última digressão.

Claro que não poderia faltar o encore, pois “então ninguém pergunta porque é que não tocaram aquela música?” brinca João Vieira quando sobe ao palco pela segunda vez. «On The Radio» e «RockIn’Rio» foram os últimos temas interpretados nesta noite de grande celebração à qual não faltou os agradecimentos a toda a equipa que os acompanha deste o início.

Em suma, foi de facto uma grande noite. Arrisco a dizer que terá sido um dos melhores concertos da banda a que já assisti. Bastante bem estruturado, animado, comunicativo e cativante. Os X-Wife mostraram que ao longo destes anos a evolução é permanente e que têm muito mais para dar. Resta-nos esperar que daqui a mais 10 anos estejamos todos a festejar e a parabenizar de novo a banda que tanto merece o nosso carinho.

Fotografia por Graziela Costa. Galeria disponível aqui.



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