“A Arte de Dar Peidos” | Pierre-Thomas-Nicolas Hurtaut

“A Arte de Dar Peidos” | Pierre-Thomas-Nicolas Hurtaut

Hino aos gases internos

Publicado pela primeira vez em 1751, numa edição que primou pelo anonimato, “A Arte de Dar Peidos” cedo se tornou num clássico da literatura cómica, escatológica e pseudo-científica. Filho de um comerciante de cavalos, Pierre-Thomas-Nicolas Hurtaut decidiu trocar as andanças equestres pelo Ensino e, mais tarde, pela Literatura, tornando-se um «falso cientista mas verdadeiro filósofo».

«É vergonhoso, leitor, que, depois de tantos anos a dar peidos, ainda não saibas como o fazeis e como deveis fazê-lo», começa desta forma este pequeno ensaio teórico-físico e metódico. Segundo Pierre Hurtatut, um peido «pode ser uma fonte de brincadeira ou prazer, mas também uma arma de guerra ou uma declaração de independência.» Há, contudo, que escolher a altura de atacar como um verdadeiro estratega pois, em muitos dos casos, pode virar uma situação a nosso favor.

E, se muitos olham para este livro como literatura de mau gosto ou nauseabunda, Hurtaut clarifica que o que cheira verdadeiramente mal é o preconceito, dizendo ser este um livro contra os sisudos, os preconceituosos e os hipócritas. E, esclarece, é bem possível peidar-nos segundo as regras e o bom gosto.

Não falta também informação ou conselhos úteis que poderão sempre servir como desbloqueadores de conversa: as diferenças entre o peido e o arroto, a divisão do peido, os peidos mudos ou bufas, as várias possíveis brincadeiras, alguns remédios para provocar peidos e, a rematar, a lista de alguns peidos que não foram citados nesta obra mas que serão igualmente importantes – como os caseiros, de virgens, de camponesas ou de cornudos.

No final, Pierre-Thomas-Nicolas Hurtaut formulou um desejo alucinado: assistir, um dia, a um concerto de peidos. Quando esse dia chegar, será tempo de substituir os óculos em 3D por máscaras de oxigénio. E pipocas não entram.



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