“A informacionista” | Taylor Stevens

“A informacionista” | Taylor Stevens

Tão castiço que se inventou uma nova palavra

Se fazer generalizações é uma actividade cerebral recheada de perigos, o que dizer da necessidade das comparações como estratégia de marketing? Na capa de “A informacionista” (Topseller, 2014), o círculo roxo não deixa margem para dúvidas: «O livro que está a ser comparado a “Os homens que odeiam as mulheres”», lê-se de um fôlego. Não é que o livro de Taylor Stevens seja de ler e deitar fora, mas querer compará-lo a uma das obras maiores da literatura policial pode ser deveras perigoso, e até injusto para com um dos mais emocionantes thrillers com edição portuguesa em 2014 .

É claro que se poderão traçar alguns paralelismos entre Vanessa Munroe e Lisbeth Salander, mas enquanto Salander parece ter saído da imaginação de Stieg Larsson, Munroe parece ter saído por inteiro do corpinho de Taylor Stevens que, a fazer-se fé nos dados biográficos que acompanham o livro, não teve vida fácil: foi separada da família aos 12 anos, não pôde frequentar a escola para lá do 6º ano e andou a mendigar em três dos continentes terrestres, a mando de líderes de um estranho culto. Isto até chegar aos 20 anos e decidir arranjar uma vida própria e dedicada à escrita.

Vanessa «Michael» Munroe, mais conhecida pelo nome do meio, lida com informação, trabalhando como freelancer para quem lhe paga pequenas fortunas para ir a qualquer parte do globo. Porém, quando um bilionário texano ligado ao petróleo a contrata para encontrar a sua filha desaparecida em África, Munroe fica pela primeira vez de pé atrás na sua vida profissional. Isto porque, caso aceite a missão, terá de regressar a um lugar selvagem e extremamente perigoso, que nunca conseguiu arrumar na prateleira certa da sua memória depois de dele ter conseguido escapar

Para lá ter criado uma heroína com quem nos apetece viajar até aos confins do planeta, Taylor Stevens oferece em “A informacionista” um thriller empolgante e bem construído que, para bem dos nossos pecados literários, tem já continuação prometida. E que, querendo agradar ao título original, ainda tratou de oferecer uma nova palavra ao alfabeto português.



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