“Arde o Musgo Cinzento” | Thor Vilhjámsson

“Arde o Musgo Cinzento” | Thor Vilhjámsson

Há mitos que duram uma vida inteira

Entre as forças da natureza e as fundações da sociedade moderna. É este o estado de alma de Ásmundur, jovem juiz e poeta, personagem central de “Arde o Musgo Cinzento”, romance escrito por Thor Vilhjámsson em 1986 e editado este ano em Portugal pela Cavalo de Ferro.

A acção situa-se na Islândia rural do século XIX, onde as forças da natureza, compostas por fenómenos naturais e mitos ancestrais, estão longe de serem compreendidas. Ásmundur é um homem com uma missão delicada: julgar o seu primeiro processo, um caso de incesto e infanticídio perpetrado por dois jovens irmãos e denunciado por vizinhos camponeses.

A sua jornada, da cidade onde vive para um lugar remoto onde passou a sua infância, será igualmente uma viagem interior, um confronto pessoal com a memória e os fantasmas que vivem no interior da sua alma. Apesar de ter vivido e estudado numa grande cidade, Ásmundur é de certa forma um primitivo e, acima de tudo, um poeta.

À medida que vai falando com as testemunhas do caso, num crescendo emocional que terminará com a conversa com os irmãos, Ásmundur faz como que uma revisão do significado de culpa, incerto sobre se a justiça não será um conceito demasiado vago para um lugar remoto e irracional, indiferente ao mundo civilizacional que ele próprio representa.

Fascinante será o seu encontro com o pastor, um antigo companheiro de escola, que se irá revelar um confronto pessoal e, ao mesmo tempo, entre as ideias de justiça terrena e perdão divino.

Vilhjámsson escreve usando várias vozes e estilos, tecendo à mão uma narrativa onde se misturam a poesia, o olhar político ou o fervor religioso. Para quem tem em “Gente Independente”, de Laxness, um romance de referência sobre a condição humana, “Arde o Musgo Cinzento”, livro que parte de um caso verídico ocorrido na Islândia, é de leitura obrigatória.

Uma edição Cavalo de Ferro



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