“As 4 estações” – Fotografia de Alipio Padilha

“As 4 estações”

Action Painters

As 4 estações, de Alberto Pimenta, estreia no dia 26 de Junho e estará em cena no Teatro Nacional D. Maria II até ao dia 20 de Julho. A criação colectiva de Diogo Bento, Miguel Bonneville e Elisabete Fragoso constrói-se à volta das ideias de morte, fim, decrepitude mas também de início, crescimento, evolução. Há saudade, lembrança e memória das memórias pela voz de João Mota.

“Este texto é de uma vulnerabilidade extrema, quando o descobri estava numa fase sentimentalóide e aconteceu uma relação imediata de amor. Cativou-me sobretudo o tema da morte e da velhice” diz Diogo Bento, o único intérprete em palco durante o espectáculo.

O cenário completamente branco vai sendo construído ao longo do espectáculo e, apesar das ideias de pureza e começo ligadas à cor, é uma imagem de podridão, devassidão e fim aquela que nos deixa. De um texto que mostra sobretudo a saudade, ficam os fantasmas recriados pela memória, a do narrador, a do escritor-poeta, a nossa talvez.

“Além de evocações e lembranças há uma reconstrução sonora e cenográfica, queremos criar uma obra de arte a partir de outra obra de arte, olhamos e é como uma natureza morta”, acrescenta o actor que tem aqui sobretudo o papel de montagem do cenário, criação do espaço da cena que parece não chegar a acontecer.

A voz que nos traz o texto é de João Mota, o colectivo de criadores optou por não ter uma presença física porque, além de se tratar de uma lembrança, de memórias recontadas e não de algo que está a acontecer, quis manter-se a linha habitual não realista. O tema da morte é recorrente mas fazem questão de a tratar “com muito estilo”, dizem.

O desenho de luz, a cargo de Daniel Worm d’Assumpção, é o que nos cria marcadamente os ambientes diferentes, nos provoca sensações mais fortes através do blackout e da luz total. Faz sobretudo uma ligação viva com o texto que está a ser dito. É um caminho, como se estivesse também em construção juntamente com o cenário e a memória que vai sendo partilhada.

Além de mostrar o texto marcante de Alberto Pimenta, o objectivo é sobretudo criar um objecto, dizem os criadores. Caberá a cada espectador decidir o que representa cada uma das ideias que vai sendo acrescentada, o porquê, a eventual aleatoriedade.

A nós fica-nos a ideia de que é um espectáculo de imagem, sobretudo. Como se estivéssemos a ver um quadro a ser pintado com uma excelente música de fundo.

26 JUN – 20 JUL 2014
SALA ESTÚDIO
4.ª 19h15
5.ª a sáb. 21h15
dom. 16h15

Fotografia de Alipio Padilha



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