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Padam Padam

Mais um capítulo do "Teatro-catástrofe-Praga" no CCB.

Em cena no CCB até 5 de Outubro, “Padam Padam”, o novo espectáculo dos Teatro Praga é a continuação do género “teatro-catástrofe” a que, tão bem, esta companhia nos habituou. Desafortunadamente, hábito parece tornar-se a palavra-chave dos Teatro Praga, já que, com “Padam Padam”, pouco se acrescenta ao discurso explorado nas últimas criações e nada se avança no aprofundamento de uma ideia/postura que já pareceu alternativa. “Padam, Padam” nada traz de novo ao universo dos Teatro Praga.

“Une catastrophe,c’est la première strophe d’un poème d’amour“: cita-se Godard (logo no início porque fica sempre bem)… Cita-se Kubrick e cita-se Hitchcock. Citam-se todos os blockbusters apocalípticos de Hollywood, “Armaggedon”, “Independence Day”, “Deep Impact”… Cita-se Ian Fleming, Arthur Conan Doyle e talvez, até, Fox Mulder e Dana Sculy (a lista pode continuar ad eternum)… Ao preparado adiciona-se a Bíblia, porque, claro está, não podemos encenar o fim do mundo, sem rezar o pai nosso.

“Boa noite. Vamos lá então começar. Boa noite. Vamos lá então acabar. Boa noite. Vamos lá rebentar com isto.”. Se, em “Demo”, os Teatro Praga lançavam a humanidade num fosso cheio de crocodilos, como castigo pelos seus vícios mundanos, em “Padam Padam”, o castigo vem de uma qualquer abstracta ira divina, ou é o efeito lógico das inconsequências do desenvolvimento da sociedade capitalista ou, pura e simplesmente, não é nada…

Pedro Penim, Marcello Urgeghe, Cláudia Jardim, Diogo Bento e Patrícia da Silva são o pai, a mãe e os filhos. Viajam para o campo para “desacelerar” e vêem-se, de repente, a braços com o apocalipse.

Pedro Penim, Marcello Urgeghe, Cláudia Jardim, Diogo Bento e Patrícia da Silva são o cientista, o cavaleiro andante, o presidente, o eremita, o agente secreto, o messias, a amante. Cada um “faz o que tem a fazer” e vêem-se a braços com o apocalipse.

Pedro Penim, Marcello Urgeghe, Cláudia Jardim, Diogo Bento e Patrícia da Silva são Pedro Penim, Marcello Urgeghe, Cláudia Jardim, Diogo Bento e Patrícia da Silva. Mimetizam estereótipos com uma pitada de humor e fazem muito barulho em palco.

Uma vez mais, os Teatro Praga aparentam pretender contrapor à constatação, já datada e discutida, da falência das meta-narrativas (e consequências) uma meta-crítica ao status quo que, pela sua tendência generalizante, se revela “meta-inútil”.

“Padam, Padam” é outra sinfonia de referências dos Teatro Praga, que parecem esquecer-se que o todo não é igual á soma das partes.



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