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Han Shot First

We are absolute beginners!

“Han Shot first”, em cena no espaço Teatro Praga, até 27 de Abril, não é uma peça de teatro, mas sim uma reflexão humorística contra um sistema burocrático, sobrecarregado de explicações, agradecimentos, cedências e convenções. Diogo Bento e Inês Vaz, os jovens criadores e intérpretes do espectáculo, confrontam-nos com uma declaração de intenções, um statement em defesa da liberdade e do inconformismo.

O espectáculo inicia-se como uma vernissage (a)típica do meio das artes visuais: bebidas e canapés, fotografias, cigarros e impressões que se trocam. Porém, em “Han Shot First” a inauguração acontece todos os dias. Todos os dias de exibição os actores conduzem a vernissage, cumprimentando os convivas, como se cada dia fosse realmente o primeiro.

Num segundo momentos, já em palco, Diogo Bento e Inês Vaz discursam sobre os inícios. O início primordial e o seu próprio início enquanto criadores e todos os inícios entre estes dois, que, de uma forma ou de outra, os conduziram até ali. Diogo Bento e Inês Vaz ironizam a ideia do percurso propondo uma destituição da fatalidade em favor da possibilidade de recomeçar uma e outra vez. Falam da dificuldade do início, de pressões sentidas e acima de tudo da pureza do início, da sua significação, da sua importância para definir tudo o resto e, mais ainda, da necessidade de lá voltarmos uma e outra vez para – talvez – não deixarmos de ser quem somos.

“Han Shot first”
adopta o título de um abaixo-assinado elaborado pelos fãs da mítica saga Starwars quando, em 1997, George Lucas alterou uma cena do Episódio IV na qual Han Solo disparava de ânimo leve sobre um adversário. Lucas entendeu que Han Solo não podia ser um assassino, os seus actos deveriam ser justificados para poderem servir de exemplo às gerações vindouras, acrescentando através de manipulação digital, um primeiro tiro disparado contra Han e colocando-o, assim, numa posição de legítima defesa. Uma legião de fãs uniu-se contrapondo ser crucial para toda a narrativa o desenvolvimento da personagem de Han Solo de assassino a herói e exigindo a reposição da cena original.

Da mesma forma, “Han shot First”, assume para Diogo Bento e Inês Vaz o reclamar de uma identidade criativa livre de pressões externas e procedimentos standard, um direito ao si próprio, múltiplo, amoral, experimental.



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