AS ARTES NO ESTORIL FILM FESTIVAL

Palco de exposições, debates, confrontos de ideias, de encontros dos maiores vultos da Cultura mundial. Assim têm sido as anteriores edições do Estoril Film Festival, por onde passaram Miquel Barceló, o Nobel J.M. Coetzee, Don DeLillo, Cindy Sherman, Paul Auster, Stéphane Braunschweig, Siri Hustvedt, Cristina Iglesias, Julião Sarmento ou Rui Horta entre tantos outros criadores. Este ano não será excepção. Entre 5 e 14 de Novembro, o Estoril Film Festival será uma vez um ponto de encontro das Artes.

ALBERTO GARCIA-ALIX

Exposição de Fotografia, na presença de Alberto Garcia-Alix
Centro de Congressos do Estoril

Alberto Garcia-Alix é um maior fotógrafo espanhol dos nossos dias e é considerado como um dos maiores do mundo. As suas fotografias a preto e branco de temas tão variados como motas, prisioneiros, estrelas do cinema pornográfico ou tatuagens têm percorrido dezenas de países e têm sido expostas nas mais importantes galerias e museus.

As suas máquinas Leica e Hasselblad têm registado ao longo dos anos os maiores artistas internacionais. Os seus extraordinários retratos, que Garcia-Alix define como um frente-a-frente entre si e o seu modelo, foram uma marca da chamada Movida Madrilena. Muitos dos fotografados então por Garcia-Alix tornaram-se em rostos conhecidos no mundo inteiro: Pedro Almodovar e Rossy de Palma, por exemplo.
O Estoril Film Festival recebe este ano Alberto Garcia-Alix e algumas das suas fotografias mais notáveis partilhando com o público português um dos maiores génios dos nossos dias. Apresentamos ainda o filme “De donde no se vuelve” que o fotografo realizou propositadamente para esta exposição.

LOU REED – EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS ROMANTICISM, na presença de Lou Reed

Centro de Congressos do Estoril

O Poeta das esquinas de Nova Iorque, pai da música alternativa e do rock’n’roll adulto, membro da mítica banda The Velvet Underground, apadrinhada por Andy Warhol, Lou Reed é um artista visionário.
Lou Reed estreou-se recentemente como realizador, com o documentário “Red Shirley”, obra com 28 minutos sobre Shirley Novick, uma prima de Reed que deixou a Polónia em 1938, com apenas 19 anos, duas malas e um “punhado de dólares”.

A Fotografia foi outra manifestação artística que Lou Reed abraçou recentemente. Fotografias a preto e branco, adaptadas para infra-vermelhos. Paisagens e arquitectura, captadas pela sua câmara digital. Breves instantes das suas viagens pelo mundo. Fotografias intemporais e modernas. Como o próprio Lou Reed.

A exposição ROMANTICISM, que Lou Reed vem mostrar ao Estoril, foi vista pela primeira vez na prestigiada Steven Kasher Gallery, em Manhattan, no passado mês de Dezembro, e é composta por fotografias de paisagens e arquitecturas da Escócia, Dinamarca e de Big Sur, na Califórnia.
O documentário “Red Shirley” será exibido também mostrado no Estoril Film Festival na presença de Reed.

LAWRENCE WEINER

Um dos principais artistas da Arte Conceptual norte-americana, Lawrence Weiner despontou no contexto artístico no início dos anos 60, quando o seu trabalho caminhava em direcção à desmaterialização da Arte.
Em 1968, criou um dos seus trabalhos mais famosos, um pequeno livro de 64 páginas chamado “Statements”. Nele inseriu textos da sua autoria que descreviam projectos. Weiner define essas obras como imagens de esculturas.

Lawrence Weiner expôs as suas obras nos mais conceituados museus de todo o mundo e ao longo dos anos, sempre apaixonado pela imagem, realizou vários filmes. O Estoril Film Festival exibirá;  To and Fro, A First Quarter, Done To, Altered to Suit, Plowmans Lunch, Affected and/or Effected, Green as Well as Blue as Well as Red, Blue Moon Over, A Bit of Matter and a Little Bit More, Inherent in the Rhumb Line, Wild Blue Yonder, Turning Some Pages, Water in Milk Exists e La Forme Inherent.

DOUGLAS GORDON

Douglas Gordon é um dos mais reputados artistas escoceses. Nascido em Glasgow e estudante da prestigiada Glasgow School of Arts, Gordon venceu o Turner Prize em 1996. Um ano depois foi o representante britânico na Bienal de Veneza e mais recentemente espantou o público americano com a exposição Timeline no MOMA em Nova Iorque.

O seu trabalho nas artes plásticas, na fotografia e nas obras que fez em vídeo tem sido mostrado nos mais importantes museus mundiais. Entre as suas obras cinematográficas contam-se o projecto sobre o futebolista Zinedine Zidane, “Zidane, Un Portrait do 21ème Siècle” e “24 Hours Psycho”, de 1993, em que Douglas Gordon colocou o filme de Alfred Hitchcock em câmara lenta de forma a que o filme tenha 24 horas de duração.

O Estoril Film Festival homenageia Douglas Gordon com a exibição do filme que o artista realizou, “K.364 – A Journey by Train” (2010), apresentado nos festivais de Veneza e Toronto.

LEITURA DE TEXTOS DE DON DELILO POR LAURIE ANDERSON

Laurie Anderson é uma Artista no verdadeiro sentido da palavra. Foi devido ao seu trabalho na Música – nomeadamente graças ao tema “O Superman” – que Anderson alcançou o reconhecimento do público no mundo inteiro. Apesar deste sucesso global que a Música lhe proporcionou, Laurie continuou sempre ligada às várias artes a que sempre se dedicou: a Arte Performativa, Multimédia, Mímica, Projecções Visuais, Teatro, Escultura, Dança e, principalmente, a Escrita.

No Estoril Film Festival, Laurie Anderson vai ler trechos de “Point Omega” do escritor norte-americano Don DeLillo. Um acontecimento imperdível.

SESSÕES ESPECIAIS

RUY DUARTE DE CARVALHO

Nome maior das Letras lusófonas, Ruy Duarte de Carvalho nasceu em Santarém em 1941, mas foi cedo para Angola, onde se naturalizou angolano em 1975. Filho de um aventureiro caçador de elefantes, foi criado no Namibe, no Sul do país. Foi regente agrícola, criador de ovelhas, estudou cinema em Londres. Em 1982 obteve com um filme, Nelisita, o diploma da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais em Paris e doutorou-se também aí, em 1986, em antropologia social e etnologia, com uma tese  sobra a produção da diferença cultural entre os pescadores da costa de Luanda.

Mas Ruy Duarte de Carvalho, falecido em Agosto passado na Namíbia, foi acima de tudo um dos maiores vultos da Lusofonia.

Como autor celebrizou-se com obras como “Como se o Mundo Não Tivesse Leste” (1977),  “Vou Lá Visitar Pastores”, escrito em 1999 sobre os kuvale, sociedade pastoril do sudoeste de Angola, ou “Os Papeis do Inglês” (2000). A sua obra poética admirável iniciou-se em 1972 com “Chão de Oferta”. “A Decisão da Idade” em 1976, “Hábito da Terra” (1988), “Ordem de Esquecimento” (1997) e “Observação Directa” em 2000 são outros  marcos importantes da sua poesia – livros que o colocam entre os poetas maiores da Literatura de Língua Portuguesa.

Com “Ondula Savana Branca”, em 1982, Ruy Duarte de Carvalho executou um exercício pioneiro de tradução e apropriação da grande tradição lírica oral nas várias línguas autóctones africanas.
Em 2007 foi membro do Júri do Estoril Film Festival. Este ano, o Festival vai exibir parte da sua extraordinária cinematográfica:

“Uma Festa para Viver” (1976), “Presente Angolano, Tempo Mumíla” (série de dez documentários, 1979, dos quais serão exibidos “Oficiais”, “O Kimzanda”, “Makumukas” e “Pedra Sozinha Não Sustem Panela”), “Moia – O Recado das Ilhas” (Director’s Cut, 1982) e “Nelisita” (1982).

Numa sessão que homenageará este talento ímpar, serão lidos trechos das suas obras mais marcantes.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This