Balklavalhau | Entrevista
Os Balklavalhau apresentaram-se, pela primeira vez, no Tom de Festa - Festival de Músicas do Mundo ACERT. Disponíveis e serenos, como o orvalho que vivifica os seres.
A Rua de Baixo esteve à conversa com estes quatro amigos que, juntos, formaram um projecto único e inovador. Têm um EP, lançado em 2023, e deixaram-nos de coração quentinho com o lamiré de novas músicas a caminho…
Obrigada, Balklavalhau!
Boas escutas!
Rua de Baixo (RDB): Quem são e como surgiu os Balklavalhau?
Balklavalhau (B): Somos cinco pessoas, mas de momento só estamos presentes quatro. Três de nós conhecemo-nos na baixa do Porto, assim por acaso, mas desde logo com a intenção de partilhar algumas músicas da Bulgária, da Sérvia, por aí… Tivemos alguns encontros e desencontros pelo caminho, até que a banda acabou por se formar. Tocávamos algumas músicas que gostávamos bastante, começámos a juntar-nos aos domingos para tocar, até que decidimos montar um projecto (com repertório, com composições nossas…).
RDB: Como descrevem a vossa sonoridade?
B: A nossa principal influência é a música balcânica, mas a verdade é que nenhum de nós é dos Balcãs. Nós tentamos ir ao encontro da diversidade, ouvimos muita coisa diferente… temos raízes em muitos lados. É quase uma coisa ‘patafísica’, aleatória, quase como tem sido a vida dos Balklavalhau desde o início. Temos composto música e tentamos deixar o nosso imaginário fluir, pelo que estamos cada vez mais abertos a outras influências e sonoridades… na tentativa de alguma maneira encontrarmos a nossa própria sonoridade.
RDB: O que pretendem transmitir com cada canção?
B: Não existe uma linha… mas acreditamos que muitas das nossas músicas estão baseadas naquilo que é a vida real… a vida real, mas um pouco na óptica do absurdo, digamos. Tentamos, por exemplo, ‘pegar’ numa temática mais ‘pesada’ e ‘sofrida’, de modo a que seja alegre nas melodias e nos ritmos, como algo mais vivo. Uma fronteira entre o sofrimento e o rir sempre, essa mistura de emoções fortes.
RDB: Quando estão em palco, como se sentem?
B: Somos um grupo de amigos que montou um projecto basicamente. Somos muito próximos, convivemos muito, já viajámos muito, partilhamos muito uns com os outros já há alguns anos. E queremos transmitir isso em palco.
RDB: O que vos inspira, assim de um modo geral?
B: A ausência de limites reais na vida, como se qualquer limite que apareça fosse facilmente repensado e destruído e, de repente, aparecesse outra coisa. Quando há um mundo de possibilidades imensas… A música por vezes é um martírio, mas de repente deixa de o ser, então a mesma faz muito sentido só por si, como se fosse uma inspiração só por existir. Cabe tudo nela. Somos como uns piratas que gostamos de viajar, cultivamos um imaginário juntos, moramos em diferentes comunidades, somos imigrantes…tantas coisas que podemos absorver e que, como tudo, pode ser inesperado. Acima de tudo, inspira-nos a possibilidade de partilhar, quase a necessidade de.
RDB: Um desejo muito grande que vocês tenham enquanto banda! E um receio enquanto artistas…
B: O que pode ser melhor na vida do que, no fundo, ser pago para ter um bom tempo com os teus amigos? Se se pode ter uma vida relativamente confortável e um trabalho que é estar no palco, com os teus amigos, a tocar música original, acho que é por aí o desejo… Acerca do receio… o que temos aprendido é que uma banda pode aparecer muito forte num instante e, de repente, desaparecer… e nós não gostávamos que isso nos acontecesse… por isso, achamos importante deixar algum registo, construir uma história que possa ser relatada. Nós agora estamos juntos, estamos a trabalhar, a compor música e queremos deixar isso de alguma maneira…
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