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Bem-vindo ao Sul

Nem todos os remakes são americanos.

“Bem-vindo ao Norte”, de Danny Boon, é um dos grandes sucessos do cinema francês, se não o maior. Uma comédia de avião (de boa digestão e devidamente empacotada) à volta dos estereótipos e diferenças regionais que caiu em graça junto do público (e já lá diz o ditado: mais vale cair em graça do que ser engraçado). A seu favor, tinha uma boa premissa (um homem habituado aos sóis do Sul vê-se obrigado a ir viver para o gelado e desolador Norte), explorada até ao tutano.

O que escrever, então, sobre “Bem-vindo ao Sul”, remake italiano de Luca Miniero, uma cópia quase perfeita do original; a mesma premissa, as mesmas personagens, as mesmas situações, cuja única “originalidade” — a troca do inóspito Norte de França pelo acolhedor Sul de Itália —, torna-a ainda mais fraca? Ao menos, em “Bem-vindo ao Norte” percebia-se a tristeza do protagonista, e a sua mudança funcionava tanto melhor. Assim, custa entender a fatalidade de ter de ir morar para uma cidade costeira, soalheira, de cartão postal, com boa comida e bebida, habitada pelas pessoas mais simpáticas do mundo.

Parece que “Bem-vindo ao Sul” tem medo de ser desagradável ao espectador nem que seja por um segundo. E isso, numa comédia deste tipo (que joga com a dicotomia casa/prazer vs. “estrangeiro”/outro/desagrado), é a morte do artista. Mais do que um remake, “Bem-vindo ao Sul” é uma fotocópia do original e a qualidade da impressão não é grande coisa: esbate as poucas qualidades e expõe as múltiplas fraquezas. Pobre cinema. Cinema pobrezinho.

É triste ver a grande tradição da comédia italiana (de que o recente “Gianni e as Mulheres”, de Gianni de Gregorio, é dos poucos herdeiros) substituída pelo franchising anódino. Fica-se, agora, à espera da versão portuguesa. Já se imagina um pobre lisboeta a passar as passas do Algarve na Costa Vicentina.

Estreia dia 18 de Agosto.



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