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Ervas Daninhas

Regresso de Alain Resnais com a história de um amor louco.

Alain Resnais é um dos mais relevantes cineastas da Nouvelle Vague, movimento artístico contestatário do cinema francês que foi especialmente forte nos anos 60 tendo influenciado toda a cinematografia mundial e cuja principal característica é a fuga à linearidade narrativa estabelecida habitualmente no Cinema Comercial, com recurso à poesia visual, à exploração da imagem e da forma em detrimento do conteúdo, apelando ao sentimento e deixando para segundo plano o entendimento.

Ao longo da sua carreira sexagenária, foi autor de alguns dos mais importantes filmes do chamado Cinema de Autor (“Hiroshima, meu amor”, “O Último Ano em Marienbad”, entre outros), trazendo agora até nós “Ervas Daninhas”, em exibição no cinema King, em Lisboa, a partir de 1 de Abril.

Na sua nova obra, é-nos apresentada a história de Marguerite Muir (Sabine Azema), uma dentista assaltada à saída de uma loja, de Georges Palet (Andre Dussollier), um homem casado que encontra e devolve a carteira com os seus documentos e do amor louco que nasce entre eles, em local e momento indesejado, tal como uma erva daninha, comparação que aparece sistematicamente subentendida através da repetição de uma série de imagens de ervas daninhas que crescem no asfalto, no solo, em todo o lado.

Fiel ao seu estilo, Resnais chama permanentemente o espectador para brincar com ele. Numa Longa-Metragem sem princípio, meio ou fim bem definidos, cedo se percebe que este não é um enredo comum. Desde a expectativa criada quanto à apresentação das personagens, ao movimento da câmara, passando pelo cuidado quanto à beleza e peculiaridade dos cenários, pelos flashes da bolsa flutuando no ar, da carteira sendo encontrada, dos fluxos de pensamentos ora em tela dividida, ora narrados e da imagem de Georges Palet andando de costas, em direcção a um cinema onde assistiu a um filme, revelando a passagem do tempo, até a banda sonora tem um papel ao ser destacada em certos momentos para desviar a atenção da narrativa que, por si só, já é confusa.

Um filme com dois “Fim” quiçá para o espectador escolher aquele que prefere. Tratando-se deste realizador nunca se percebem as verdadeiras intenções mas fica a garantia de se assistir a alguns agradáveis momentos surpreendentes.



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