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“Bestas do Sul selvagem”

Um filme com uma beleza muito particular

Numa terra perdida, isolada do resto do mundo, há um outro mundo com as suas próprias regras, assentes numa liberdade desconhecida pelos outros estranhos a ela. Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) simboliza o espírito dessa terra, pura, linda, intocada pelas garras da “civilização” que devora e tende a formatar tudo que é diferente e não segue a sua linearidade claustrofóbica.

A nossa heroína é só uma menina de seis anos, mas também uma criança que tem de fazer coisas que era suposto adultos, neste caso o seu pai, Wink (Dwight Henry) fazerem por ela, e a isto chama-se instinto de sobrevivência. É uma personagem dramaticamente densa, interpretada brilhantemente pela pequena actriz que se estreia neste filme e nos inspira com uma performance natural, límpida, capaz de cativar o mais frio dos humanos.

Através das palavras de Hushpuppy familiarizamo-nos com a sua história, a forma como sente a sua terra, a relação com o seu pai, a sua comunidade, mas sobretudo faz-nos sentir amplamente a natureza, o elemento mais forte deste drama que irá decidir os destino da sua vida e de todos os habitantes da Banheira.

Filmado no sul do Louisiana, terra das pessoas mais tenazes da América, segundo o realizador (Ben Zeitlin), “Bestas do Sul selvagem” proporciona-nos bonitas imagens materializadas em realidade e fantasia, como as cenas com as bestas, os auroques, criaturas míticas, ferozes, que ressuscitam com as radicais mudanças climatéricas.

Neste filme de beleza particular, sentimos magia e sem nos apercebermos envolvemo-nos neste universo com as suas cores, crenças e espírito de comunidade, mas também nos deparamos com o caos e a tragédia que para muitos seres humanos é o seu quotidiano.

Ben Zeitlin soube captar a história na medida certa; o poder da forte densidade dramática está na sua simplicidade. É uma obra que nos leva a reflectir sobre como a sociedade em que vivemos, ao almejar a grandeza, torna-se tão insignificante perante esta realidade tão dura mas infinitamente mais rica.

“Beasts of the Southern Wild”, título original desta longa-metragem fruto da adaptação da peça “Juicy and Delicious” da autoria de Lucy Alibar, venceu o Grande Prémio do Júri no Festival de Sundance 2012, foi seleccionado para a secção “Un Certain Regard” do festival de Cannes e está nomeado para os Óscares 2013 nas categorias de melhor filme, melhor realizador, melhor actriz e melhor argumento adaptado. É distribuído em Portugal pela Alambique Filmes e tem estreia prevista para o dia 14 de Fevereiro.



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