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Bonsai

Um culto oriental milenar que continua a criar fãs em todo o mundo. “He who loves bonsai possesses a heart that loves peace”
– Masakuni Kawasumii II.

A arte do Bonsai nasceu na China há mais de 1700 anos, no final da dinastia Han. Na altura chamados Pun-Sai, eram pequenas árvores criadas em vasos que acabavam por estar directamente ligadas à mitologia e ao folclore chinês. Tinham formas que se assemelhavam a dragões, pássaros e outros elementos tipicamente chineses e, enquanto uns os achavam grotescos, outros acreditavam que esta arte era a representação perfeita da paz e harmonia.

Esta arte só chegou ao Japão no período de Hein (794-1185) pelas mãos dos monges budistas, que ficaram fascinados com estas pequenas árvores, puras réplicas da natureza criadas em pequenos vasos e as trouxeram para o país do sol nascente.

Os Japoneses são hoje conhecidos como os responsáveis pela evolução desta arte. A dedicação, esforço e sacrifício em prol da sua evolução foi tanta que são responsáveis pela criação das primeiras ferramentas e outras técnicas de modelação.

Estas pequenas árvores são hoje verdadeiros objectos de culto em todo o mundo e são passadas de geração em geração com valores que podem ir desde os 50 euros, por uma jovem árvore com 5 anos, até aos 40.000 euros por um exemplar com 200 anos.

Sendo esta uma das artes mais concorridas do nosso planeta, estima-se que todos os anos surjam cerca de 20 milhões de novos adeptos, mas são muito poucos os que sobrevivem ao primeiro ano de paixão e que permitem que esta se transforme num verdadeiro amor.

A maioria de nós já passou pela experiência de ter um Bonsai em casa e desesperou ao vê-lo definhar passado pouco tempo. Eu pertenço ao grupo de pessoas que, no início dos anos 90, quando apareceram os Bonsai em Portugal, levou uma Oliveira com cerca de 5 anos para casa.

A única dica que traziam era “manter a terra sempre húmida”. Na verdade, esforcei-me por manter a terra sempre húmida. Aliás, não existiu um único momento que ela estivesse sequer a pensar em ficar seca. Tanta foi a humidade que o matei por afogamento e, como eu, milhares de pessoas viveram o mesmo drama, vendo a pouco e pouco a sua árvore morrer sem perceber o porquê.

Foram precisos quase 20 anos até me voltar a aventurar nesta arte da qual sempre ficou a saudade e o interesse de aprender mais.

Há cerca de 4 meses, meio perdido em Lisboa, dei por mim enfiado no Centro de Bonsai de Campolide, onde um staff simpático e especializado me ajudou a voltar a esta antiga paixão. Desta vez, as dicas eram muitas e em minutos o mito criado em torno da ideia de que apenas Ninjas e Samurais conseguem criar e cuidar destas árvores, caia por terra. Dei por mim com dois Bonsai de 17 anos nas mãos e entusiasmado com o reacender desta antiga paixão.

A arte que antes era totalmente desconhecida em Portugal, está hoje em dia muito mais desenvolvida com a existência de cursos, workshops, clubes, livros, dvd’s e revistas e a Internet cheia de artigos, fóruns, sites e lojas online em Português. Todas aquelas dúvidas que há cerca de 20 anos atrás eram quase impossíveis de esclarecer, estão ao alcance de todos.

Esqueçam a ideia de que para se ter um Bonsai é preciso abdicar de viver, pois temos de estar constantemente ao lado dele. Especialistas dizem que mais de 10 minutos por dia a tratar de uma árvore é um exagero. Actualmente tenho quatro e demoro dez minutos a tratar deles todos dias e o retorno é fantástico. A nossa dedicação reflecte-se numa paz e harmonia inexplicável, como se de uma espécie de meditação se tratasse.

Existem Bonsai de interior e exterior sendo a sua localização bastante versátil. O espaço também não é um entrave, já que existem Bonsai de diversos tamanhos logo e existem até técnicas para saber quando a nossa árvore precisa de água, para não corrermos o risco de voltar a cometer erros.

Se esta arte é uma antiga paixão e tal como eu tiveram uma experiência traumática no passado, não deixem que essa vos afaste, pois a realidade mudou e hoje não só é possível aprender a cuidar destas pequenas grandes árvores como, com algum esforço e dedicação, podem-se especializar e tirar um prazer superior de cuidar e moldar estes pedaços da natureza.

Após estes quatro meses, posso-vos dizer que pelo menos para mim tem sido uma experiência mágica e relaxante que todos os dias me faz sair fora da minha rotina e estar mais perto da natureza, num mundo muito aparte do que estou habituado e que a paz de espírito que as minhas árvores me trazem não tem valor que se possa quantificar.

Não sendo este artigo um manual do Bonsai, nem tendo esse intuito, pois nem conhecimento tenho para tal, deixo-vos um conselho que considero o mais importante, caso pretendam iniciarem-se nesta arte. Tentem não comprar Bonsai em hipermercados ou Centros de Bricolage. Procurem sítios especializados como é o caso do Centro de Bonsai de Campolide, o Museu de Bonsai em Sintra, a Iberbonsai em Maceda ou a Luso Bonsai no Montijo, pois vão encontrar pessoas especializadas e Bonsai bem tratados com uma qualidade acima da média e saudáveis.
Existe também um serviço após-venda sempre disponível para vos ajudar no que precisarem, pois para eles a venda de bonsai é muito mais que um simples negócio. É um modo de estar na vida.



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