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Cafetra x ZDB: Éme apresenta “Colegas de Trabalho”  @ ZDB (27.02.2026)

O belíssimo cancioneiro de Éme e seus colegas de trabalho continua a crescer de forma magnífica.

Felizes Para Sempre é o trio que junta as canções a título individual de Crol, Parque dos Lírios e Jarda, amigos e membros do coletivo gravv, para as interpretar num formato em banda fixe.

Os Felizes Para Sempre são uma forma simples de mostrar que a soma das partes é maior que o todo. O trio composto por Crol, Parque dos Lírios e Jarda integram o colectivo gravv. O registo lo-fi impera e há também uma irreverência assertiva. Começou-se ao som de «andar às voltas com os pés ao contrário», da autoria de Parque dos Lírios, andámos às aranhas e entre empurrões. Uma boa abertura. Balanceada, descontraída e que nos deixou ainda mais motivados para o que se seguiu.

Sallim e Orca. Aqui o minimalismo impera e o amor é tudo o que temos aqui à mão. Os teclados guiam, aconchegados aqui e ali pelas cordas da guitarra de Sallim ao longo de canções bonitas. As vozes, equilibram-se, complementam-se, revezam-se. Escolham vocês.

É sempre bonito ver o piano da ZDB a ser usado e houve também tempo para escutar algumas canções novas e um cover de Leonor Arnaut, para se encerrar ao som de «novo início»: “cuspi na cara da sorte / raspei a lama do monte / que se erguia / entre a vida e a morte”.

Eis que chega a vez de Éme se apresentar em palco com os seus colegas de trabalho, Moxila, a Francisca Aires Mateus, a Carol e Kellzo.

Arrancamos ao som de «Pendente». A ironia na vida boémia desta Lisboa de amor/ódio. «Disco Tinto» é entoada em coro e é épico. «La Feria» surge pujante, certeira e cantada pelo aquário.

Mais lenta na sua cadência, «Cruzeiro» leva-nos ao sabor da ondulação e da panóplia de medicamentos para o enjoo.

“Obrigado malta!” – mas nós é que temos de agradecer. Sem demoras chegamos a «Até pra falhar tenho um plano». Há uma generalidade neste título. E na prática é um belíssima canção que combina folk e pop. A banda está muitíssimo bem oleada, mesmo com as canções do novo álbum a surgiram a outra velocidade.

Apanhamos o «Autocarro» com Moxila aos comandos, “O que eu quero é passear”, em direção ao «Exílio», “Trabalhar não é prisão / Trabalhar é um exílio” e retornamos a “Colegas de Trabalho” e a «Coiote», onde ironia e sarcasmo se cruzam para um country lisboeta. «Bullies» trás o seu rendilhado da guitarra e a introspecção que guia a canção.

É bonito sim senhor. «Aleatório», sempre a oscilar, a acelerar e a travar, e deliciosa por isso mesmo. “Aleatório, entulho aleatório / coisas que encontrei no chão”.

Em «Fantasmas», Moxila faz valer o seu cavaquinho, enquanto pensamos nas pequenas coisas que nos recordam algo importante. «Branco Maduro» é um hino e brindamos com um copo de 3 cheio no ar e cheio de branco maduro. Saúde!

«Colega de Trabalho #1 – Dr. Rui Faria» irrompe forte, tão forte que até se pulam alguns versos até se atingir o pináculo, aquele momento emocore de Éme e colegas de trabalho. Sem pausas, salta-se logo para o «42», com a beleza da narrativa que evolui verso após verso. É uma das canções do ano, meus amigos, e se ainda não a conhecem ainda vão a tempo. Depois ficamos apenas com Éme e Moxila em palco para um diálogo entre a flauta e guitarra acústica que se materializa em «Colega de Trabalho #2 – Rei do Pinhal».

“Suave como o sol a bater no rio espelhado”. «Relaxado» é apresentado como crowd pleaser e sem ter sido ensaiada, mas a química entre Éme e Moxila dá todas as garantias de que precisamos. Acabamos exatamente a reflectir o título da canção.

O belíssimo cancioneiro de Éme e seus colegas de trabalho continua a crescer de forma magnífica.

As fotos são da autoria de Vera Marmela e foram gentilmente cedidas pela ZDB.



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