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Ryley Walker @ ZDB (12.04.2017)

Rentabilizando da melhor forma o seu regresso a Portugal, Ryley Walker subiu ao palco da Galeria Zé dos Bois não uma, mas duas vezes na mesma noite! Isto porque o talentoso guitarrista/compositor do Illinois endereçou um convite aos músicos Gabriel Ferrandini e Pedro Sousa para preencherem o acto da abertura do seu concerto com uma actuação de música improvisada, acompanhados pelo próprio Walker e sua banda.

A noite da ZDB abriu assim com uma sessão de experimentalismo, com toques jazzísticos e igualmente industriais, que durante cerca de meia-hora entreteve a sala que se encontrava muito perto de estar esgotada. Embalado pela noite de Verão que pairava sobre Lisboa, o público foi-se movimentando entre o quintal e a sala, sem que nunca fossem importunados os demais.

Após a actuação no Festival Paredes de Coura no ano transacto, era chegada a hora de Ryley Walker apresentar in loco o seu mais recente disco, “Golden Sings That Have Been Sung”, aos fãs lisbonenses. Fez-se ao palco com uma sweatshirt que Mac DeMarco não enjeitaria ter no seu roupeiro, ladeado por Ryan Jewell na bateria e Julius Lind no baixo.

A performance do músico de Chicago tem por base as digressões sónicas típicas duma guitarra norte-americana, uma autêntica viagem, longa, pelas estradas planas do Midwest (“onde todos são feios, ao contrário de Lisboa”, segundo nos contou o próprio Walker), por entre nuvens de poeira e brisas de frescura. Tanta é a poeira que Ryan Jewell passa grande parte dos temas a vassourar as peles da bateria, lapidando ritmos densos e vagarosos. As linhas do baixo de Julius Lind vão-se contorcendo melodicamente, numa exibição não menos interessante.

Musicalmente podemos considerar Ryley Walker como parente de outros guitarristas como Wiliam Tyler ou Steve Gunn, sendo que não bastas vezes parece que Walker decidiu pegar nos temas instrumentais de Tyler e dar-lhes voz, tais as semelhanças. Percorrem as mesmas estradas empoeiradas, seguindo muita vez os rodados das guitarras uns dos outros. Vocalmente percebe-se imeditamente um sotaque bem cerrado que chega a impedir que se decifre grande parte das palavras que debita.

Ryley Walker aproveitou para ir demonstrando os conhecimentos acerca de Lisboa e dos portugueses, que foi coleccionando ao longo destes dias que passou na capital (desde os taxistas loucos à tentativa de aquilatar qual a melhor cerveja entre as duas principais marcas da nossa praça), durante os constantes períodos que passou a afinar as desgastadas cordas da sua guitarra.

No entanto, a boa disposição e o diálogo frenético que foi alimentando com o público nunca permitiram que essas pausas lesassem a cadência do concerto.

Alinhamento

– The Halfwit In Me
– The Roundabout
– Sullen Mind
– On The Banks Of The Old Kishwaukee
– Primrose Green
– Funny Thing She Said
– Fair Play (Van Morrison cover)



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