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Catarina Branco revela “Acordava cansada”

Novo álbum da cantautora portuguesa explora o silêncio, a melancolia e a busca pelo essencial num registo mais introspectivo e minimalista.

Catarina Branco acaba de lançar “Acordava cansada”, o seu segundo álbum de estúdio, disponível desde 10 de Março em todas as plataformas digitais e em edição física em formato vinil. O disco sucede a “Vida Plena” (2022) e aprofunda o universo poético e musical da artista, revelando um lado mais denso e introspectivo. Depois do single de antecipação «Onde eu me escondo», este novo trabalho afirma-se como uma mudança profunda na sua linguagem artística.

O álbum nasce do silêncio e da melancolia. Catarina Branco descreve o disco como uma jornada interior onde o recolhimento se transforma em matéria sonora: “Neste conjunto de canções exorcizei demónios antigos e recentes. Fiz as pazes com o silêncio que me tirou a voz”, explica, definindo “Acordava cansada” como um espaço de reconciliação e descoberta. A meio desse processo, a voz reaparece “em forma de palavras e canções”, devolvendo-lhe o impulso criativo.

Em termos sonoros, “Acordava cansada” aproxima-se de uma estética folk minimalista, com foco em instrumentos acústicos e arranjos depurados. A artista procurou reduzir cada composição ao essencial, apagando excessos para deixar respirar o silêncio que inspira o disco. Parte do processo criativo decorreu durante uma residência artística na Casa de Gigante, no Vale do Pereiro, Sertã, em Agosto de 2024. O isolamento permitiu-lhe aprofundar a relação com a palavra e eliminar o ruído: “No silêncio do Vale, foi possível dissecar todo o ruído e deixar apenas o essencial para o silêncio se fazer ouvir”, recorda.

Totalmente composto, produzido, captado e misturado por Catarina Branco, o álbum conjuga elementos acústicos com discretos traços digitais, criando uma paisagem sonora híbrida e contida. Para a gravação, contou com a colaboração de Sara Gonçalves, Leonor Orca, Mariana Camacho, Catarina Valadas, Rodrigo Nogueira e Bá Álvares, que contribuíram para uma paleta sónica diversa, mas fiel ao espírito minimal do projeto.

Natural do Oeste, Catarina Branco tem vindo a desenvolver uma identidade artística profundamente ligada ao território e às suas dualidades — entre o agreste e o íntimo, o vazio e o excesso. “Acordava cansada” prolonga essa tensão também no lado visual, com uma imagem de “pintura de palhaça a preto e branco” de traço gótico e náutico. Depois de “Vida Plena”, este novo capítulo assume-se como uma escuta mais atenta à sombra, ao silêncio e àquilo que permanece por dizer.

 



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