“Cidade Aberta” | Teju Cole

“Cidade Aberta” | Teju Cole

O mundo é um lugar desolador

Teju Cole nasceu nos Estados Unidos, filho de pais nigerianos. Escritor, historiador de arte e fotógrafo de rua, colabora de forma regular com o New York Times e as revistas New Yorker e Granta, entre outras publicações.

Essa imensa herança cultural, a que se ligam também ligadas as ideias de identidade, liberdade e perda, está reflectida de forma exemplar em “Cidade Aberta”, livro com que Teju Cole conquistou o New York City Book Award e, também, o Prémio Rosenthal da American Academy os Arts and Letters.

Julius é um jovem médico nigeriano, que vive o seu último ano como bolseiro em psiquiatria. Para fugir ao ambiente tenso da sua profissão, ganhou o hábito de passear sozinho pelas ruas de Manhattan, pensando no seu relacionamento com os outros, relembrando a separação recente da sua namorada, construindo uma ponte entre o passado e o presente, incerto ainda sobre qualquer ideia de futuro. Porém, estas caminhadas solitárias por uma Nova Iorque em constante tumulto, apenas acentuam nele uma imensa solidão, trazendo à memória “As Multidões”, poema escrito por Charles Baudelaire.

Para além de Baudelaire e da ideia de solidão, há outros ecos que surgem na escrita de Cole, como o desejo de liberdade de Thoreau ou a melancolia microscópica de Sebald. Há, porém, uma grande originalidade – e sobretudo exposição – na sua escrita, como se “Cidade Aberta” fosse uma autobiografia em movimento com a história da música clássica a servir de banda sonora. Mesmo que o mundo apareça como um lugar algo desolador, Cole pinta-o com uma imaginação assombrosa que nos faz acreditar no arco-íris.



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