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Conversa com José Cabral @ TEDxEdges

"As Simple as a Blog".

Ser bonito ou feio são dicotomias difíceis de esclarecer. Ser elegante ou desajeitado é igualmente dúbio. Na sociedade actual, a moda e o impacto da publicidade regem a população com modelos a ter em conta para se ser socialmente aceite. A própria imagem fotográfica apela aos sentidos e até o mais céptico acaba por se render às novas tendências. Sob o olhar atento de José Cabral, qualquer um de nós pode vir a ser modelo, mesmo que só por um dia. Mas mais do que a imagem, o que conta é a história por detrás da mesma. A RDB sugere que calces os sapatos de salto-alto, que vistas o teu melhor fato, porque nunca se sabe se não és tu o próximo alvo da objectiva do “nosso” alfaiate.

José Cabral é o nome próprio por detrás do blogue O Alfaiate Lisboeta. Nasceu em 1980, década do exagero, das cores berrantes e da obsessão pela ginástica. Durante o seu percurso académico é na área da Sociologia que acaba por se licenciar e o seu primeiro emprego é como comissário de bordo. Após este vai-e-vem de viagens e cruzamento de culturas, deu por si a estar atrás de um balcão de um banco na zona da Terrugem. A simplicidade do depoimento na voz do próprio José na conferência TEDxEdges no âmbito do tema “Being Social”, fez com que o público o escutasse com bastante atenção. Com o título “As Simple as a Blog”, José Cabral explicou que a dada altura da sua vida estava insatisfeito com o facto de não ter nada que fosse apenas criado por ele. Portanto, e por influência de um amigo, José adopta a ideia de retratar pessoas comuns que deambulam pelas ruas de Lisboa e mostrá-las ao mundo através da criação do blogue. Contudo, a grande particularidade é que o autor dá também a conhecer ao leitor a história que originou aquela imagem, ou algo que a caracterize, mas sempre do ponto de vista das sensações e experimentações do autor.

A partir daqui, o blogue passou a ter cada vez mais visitantes, cada vez mais feedback por parte dos leitores e um maior destaque no universo da moda. José Cabral passou assim a ser admirado por muitos e a ser uma referência do lifestyle em Portugal. Ainda no início do blogue, José Cabral comenta que foi difícil conquistar os amigos. Estes até lhe dirigiam palavras menos próprias, mas José pouco se importou. A satisfação e realização pessoal é o que mais importa e, por isso, o caminho do blogue continuou a seguir as tendências e a recolher pequenas histórias do dia-a-dia. “As histórias mais engraçadas são, muito provavelmente, aquelas que têm que ver com pessoas que fotografei noutros países e com quem me voltei a encontrar mais tarde por mero acaso. É uma sensação fantástica a de pensar que uma coisa tão insignificante quanto a nossa publicação pessoal se pode tornar tão global. Mas esse mérito é da própria natureza da blogosfera.”

José confidenciou à RDB que nunca não conseguiu ter a nítida percepção a partir de que momento é que o blogue ganhou impacto. “Apenas tenho consciência de que houve coisas que mudaram na minha vida. No dia-a-dia sou abordado pontualmente. Regra geral são pessoas que aproveitam o facto de nos cruzarmos para me darem algum feedback pessoalmente.”

O sucesso do blogue por terras lusas, fez com que José Cabral colocasse também imagens que recolhera nas suas visitas a outros países. E ainda bem que o fez. O sucesso foi ainda maior. Durante a sua palestra, José Cabral disse que aproveitou a ideia dos charters chineses – ideia original do Paulo Futre – e decidiu apostar no mercado asiático, traduzindo os conteúdos do seu blogue para Mandarim. Confrontado com a questão se é ou não um homem da moda, José responde-nos que “sinto-me o mesmo rapaz que me sentia antes de ter começado o blogue. E se de alguma forma me sinto muito distante daquilo que me parecem ser as concepções mais comuns sobre aquilo que é ou deixa de ser a moda por outro lado tenho que admitir que perguntas como esta deixam a interrogar-me sobre se aquilo que faço será ou não digno de merecer esse epíteto”.

Partindo novamente da premissa de que vivemos numa sociedade globalizada que atravessa momentos de crise, José Cabral acabou por traçar o seu destino marcando a diferença e a sua análise social é a de que “a sociedade actual vive cada vez menos de aparências. A informação é um bem tão comum e acessível que ninguém é obrigado a contentar-se com meras sinopses superficiais sobre determinado assunto. Mas se cultivamos mais a aparência? É possível. A tecnologia actual e os suportes disponíveis fazem com que uma simples imagem ou um vídeo possam chegar ao mundo inteiro. Se uma fotografia sua andasse a percorrer o mundo não gostaria que essa fosse a sua melhor imagem? Mais importante que a aparência é a partilha. E as sociedades actuais valorizam-na cada vez mais e os meios existentes permitem que essa partilha seja feita de uma forma massiva e hiper-globalizada. Hoje um português, um chinês e um venezuelano podem partilhar experiências e unir esforços. Esse é o grande trunfo para podermos todos ter a nossa quota-parte naquilo que pensamos poder ser o nosso contributo para um mundo melhor”.

Actualmente, para além da participação activa no seu blogue, José Cabral tem uma coluna no jornal internacional Metro e ainda na Vogue portuguesa. Sendo assim, o melhor mesmo é estarmos atentos… ele anda por aí.



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