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Cosie Cherie

Música para sonhar.

Ele é holandês, ela é portuguesa. Conheceram-se num Verão como este, em Portugal, e descobriram uma paixão em comum: a música. Pouco depois nasciam os Cosie Cherie, entre viagens de comboio de Portugal para a Holanda e da Holanda para Portugal. As canções, simples e melodiosas, foram crescendo nas páginas de um pequeno caderno que rapidamente se tornou pesado para guardar na mala e mudaram-se definitivamente para Torres Vedras, onde montaram um estúdio improvisado. Cinco anos depois, os Cosie Cherie lançam o primeiro longa-duração, “Book of Music”. Um disco que mais parece um livro. Depois do lançamento do álbum na Livraria Ler Devagar, a dupla luso-holandesa apresentou a sua folk sonhadora em Setúbal, na Casa da Baía, e a Rua de Baixo falou com eles.

Vocês são de nacionalidades diferentes. Como é que se conheceram e como nasceram os Cosie Cherie?

Tânia – Conhecemo-nos em 2006 quando o Job estava a passar férias em Portugal. Depois ele teve que voltar para a Holanda para trabalhar. Surgiu a oportunidade e mais tarde reencontrámo-nos. O Job já tocava guitarra e já tinha algumas músicas, então começámos a trabalhar sobre essas músicas, a refazê-las e a criar novas versões. Depois mostrámos a alguns amigos, eles gostaram, mas os Cosie Cherie enquanto projecto mais a sério só aconteceu em 2010.

Job – Um amigo nosso da Fabulous Generation perguntou-nos se estávamos interessados em gravar um EP a sério e achámos muito fixe, para iniciarmos alguma coisa.

“Book of music” é o vosso primeiro disco. Foi um percurso difícil até chegarem aqui?

Tânia – Não foi nada difícil. O “Book of Music” é o resultado destes anos todos em que temos estado a fazer música. Algumas canções já são antigas, e outras fizemos depois do EP. Daí chamar-se “Book of Music” porque andávamos sempre com um livrinho onde escrevíamos as letras todas das nossas canções. É uma espécie de compilação das nossas músicas (risos).

Job – Sim, é um livro assim um bocado desorganizado (risos). Tínhamos folhas soltas que fomos juntado, fomos escrevendo e agora é um livro grande (risos).

Como foi o processo de composição e gravação das canções?

Tânia – Gravámos em casa por isso foi um bocadinho caótico (risos). Foi transformar a casa num estúdio durante alguns meses. Por um lado, foi complicado porque sozinhos tivemos que fazer toda a parte técnica e às tantas tornamo-nos muito exigentes com esse trabalho porque é uma coisa que não dominamos completamente. Por outro lado, gravar em casa deu-nos muita liberdade para fazermos o que quisemos e no tempo que quisemos. Podíamos refazer, insistir, experimentar.

Job – Foi tentar fazer uma coisa em que não tínhamos experiência nenhuma. Eu tenho alguma experiência na área audiovisual, mas gravar música é uma coisa que tens mesmo que saber para fazer bem. O que fizemos foi juntar todo o conhecimento que tínhamos e fazer o melhor que conseguimos. Foi difícil, mas para gravar um EP é preciso ter um computador, um microfone, instrumentos e nós tivemos a sorte de ter tudo isso.

As vossas canções são muito simples. Em que é que se inspiram?

Job – Lembro-me de uma canção, a «Travelling», que escrevemos no comboio. E a melodia dessa canção surgiu no momento em que estávamos na Holanda. A Tânia estava comigo, estava lá a estudar. Estávamos numa situação um pouco difícil e eu tive que arranjar um trabalho temporário, uma coisa que eu não gostava nada de fazer. E um dia estava a voltar do trabalho, muito rápido de bicicleta, cheguei a casa e comecei a tocar. E acho que essa música nasceu um bocadinho desse sentimento de frustração por estar a fazer uma coisa que não era aquilo que queria fazer.

Tânia – Acho que as nossas músicas são simples porque são sempre o resultado destes momentos. Têm que ver com os nossos gostos, com a nossa personalidade e influências também. Não é uma escolha muito propositada. É assim…

Para além da música, este disco reúne também alguns trabalhos de artistas plásticos não é?

Tânia – Sim, tem trabalhos de artistas diferentes, portugueses e holandeses. Pedimos-lhes para escolherem uma canção, interpretá-la e fazerem um desenho ou uma fotografia sobre ela. E a parte gira foi ver o resultado, o que eles vêem quando ouvem a música. Depois juntámos as quinze ilustrações num poster que acompanha o disco e que acabou por tornar-se o booklet do álbum. No verso tem as letras das canções.

Então, o disco acabou mesmo por tornar-se um livro de música.

Tânia – Exacto (risos). Não é um livro literalmente, mas as ilustrações acabam por completar o álbum porque tem a parte escrita, a parte musical e a parte visual.

E nos concertos também têm essa preocupação de aliar a música com as imagens. Acham que as imagens são importantes para potenciar o sentido das canções? Porque optaram por fazê-lo?

Job – É mais uma possibilidade. Temos vários amigos que têm jeito para a arte e pensámos que podíamos criar uma coisa maior, fazer algo com mais pessoas. É uma forma de abrir o nosso trabalho a outras pessoas para que elas também possam mostrar o seu trabalho. Por outro lado, a música às vezes pode ser muito intimista e quando tens mais coisas para ver podes ouvir a música de outra maneira.

Tânia – Acho que não é para dar mais sentido às músicas, mas para dar mais liberdade a quem está a ouvir.

É uma coisa que ajuda muito a libertarmo-nos e dá às pessoas que estão a ver a possibilidade de sonharem um bocadinho. É bom para nós, porque nos sentimos menos observados, e é bom para o espectador porque está a ver uma mistura de artes no mesmo espaço: a pintura, a música. E pode-se deixar levar pelo pensamento. Acho que é muito mais enriquecedor juntar estas diferentes formas de arte, acho que não se perde nada em juntá-las.

E no futuro, esperam ficar por cá ou querem ir para a Holanda?

Job – Queremos ficar por cá, mas teremos sempre que voltar para ver a minha família também.

E pensam tocar na Holanda?

Job – Já tocámos lá uma vez e em Agosto esperamos voltar para tocar.

Tânia – Não é uma coisa ainda muito certa, mas é possível. O EP vai ser vendido também na Holanda, por isso, é uma coisa que se calhar vamos fazer. Mas para já estamos focados no que estamos a fazer aqui e na promoção do disco.

Job – Sim, não é só na promoção do disco, é também ganhar experiência. Estamos mesmo no início. Mas temos tido reacções positivas, as pessoas gostam. E é bom sentir isso.



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