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Dark Souls III: The Ringed City | Análise

Das cinzas nascido e às cinzas retornado... Até sempre Dark Souls!

Com The Ringed City, a FromSoftware dá por concluída a nossa aventura em Dark Souls III, ao mesmo tempo que se despede desta emblemática série que nós, os fãs, temos vindo a adorar odiar ao longo dos anos. Pessoalmente, confesso que estava um pouco reticente, relativamente a esta expansão e isso deveu-se ao facto de a anterior, Ashes of Ariandel, ter ficado um pouco aquém das minhas expectativas, num plano geral. Pensei que ia sentir o mesmo em relação a The Ringed City. Depois de tanto tempo a fugir de trailers, imagens ou de quaisquer informações sobre esta expansão (bem como todos os anteriores lançamentos da série), porque acho que só assim é que podemos realmente desfrutar destas experiências, chegou finalmente a hora de uma vez mais me sentar ao calor do Bonfire e me deixar ser transportado para só mais uma aventura que a série Souls tem para oferecer.

Os meus primeiros passos nesta nova e última expansão de Dark Souls 3, colocaram-me ao lado de uma “velhota” que contemplava o horizonte; uma paisagem que podemos considerar como sendo o ponto onde este e outros mundos se cruzam e culminam, caindo, por fim, no esquecimento. Ao escutar o que tinha para me dizer, também eu aproveitei para contemplar o cenário que se colocava à minha frente: Um imenso caos arquitetónico, com prédios, catedrais e ruas, tudo distorcido, entrelaçado ou simplesmente do avesso mas todo ele coberto de cinzas. A vontade de explorar e fazer sentido de tudo isto, cresceu a pique.

O caminho que podia trilhar apontava para baixo mas o anjo que subitamente surgiu à minha frente e os imensos feixes de luz que disparou sobre mim obrigaram-me a deixar para trás o meu ar contemplativo e a sentir um tremendo sentido de urgência. Corri desalmadamente em busca de um ponto de abrigo que me protegesse daqueles sentinelas alados. Um passo em falso e era esquartejado pelos seus feixes de luz, ao som dos seus urros desconcertantes. À primeira vista, a primeira secção do jogo pode parecer extremamente implacável. Acreditem que a mim pareceu mas é quando começam a lutar contra o sentido de urgência que se instala que começam a acalmar-se e a ver as coisas com outros olhos. Por vezes, podem até localizar a origem dos vossos problemas, que quando resolvidos podem novamente permitir que o vosso olhar contemplativo regresse.

 

Descansem que não me vou alongar mais e muito menos estragar as várias surpresas que vos esperam em The Ringed City. E se elas são várias. A início não o sentia, mas quanto mais progredia (e morria), mais sentia que esta era uma expansão digna do melhor que a FromSoftware alguma vez deitou cá para fora. Não respondeu a todas as minhas perguntas mas fez-me por exemplo ganhar um maior respeito pela expansão anterior e olhar para ela com outros olhos. Deu também aso a momentos curiosos. O que me diriam se vos dissesse que existem provas que indicam que o Dark Souls 2 é de facto uma entrada oficial na série? Houve espaço para momentos de luz, mas ao mesmo tempo para momentos mais soturnos; para o declínio, ou não estivéssemos sempre a descer à medida que progredimos. Assistir à conclusão da história de um triste trapaceiro, tão conhecido por nós, não me deixou indiferente e ler as várias descrições sobre o espólio que ia encontrando fez-me questionar ainda mais sobre estes mundos que agora se cruzam e sobre as personagens e criaturas que outrora os percorreram. Quanto mais me debruçava sobre este sentimento de “declínio” omnipresente e sobre aqueles que em busca da Dark Soul (note-se o singular) foram absorvidos pelas trevas, mais dava por mim a pensar na expansão do Dark Souls Original.

Já em termos de jogabilidade, contem com a jogabilidade que tão bem caracteriza a série, claro, mas com desafios que irão fazer-vos repensar as vossas abordagens. Aliás, nunca a série Souls me tinha obrigado a adoptar uma postura mais furtiva para percorrer os seus cenários (a jogar ao Gato e ao Rato, vá). Durou o quanto baste e terminada essa secção, vá de partir para outra área, tão ou mais desafiante mas sempre com uma identidade muito própria. A exploração, é mais do que obrigatória, como devem calcular. A cada esquina ou em cada buraco, vão encontrar um extenso leque armas ou armaduras, feitiços e até anéis (alguns deles +3).

 

O final de cada secção culmina, como não podia deixar de ser, no confronto contra um Boss. Ao todo são 4, sendo que um deles é opcional mas não posso deixar de recomendar que o superem, uma vez dá aso não só a uma das lutas mais desafiantes de toda a série como também vos dará acesso a um novo covenant. Não substimem no entanto os restantes bosses, pois também seles serão bem desafiantes e implacáveis face ao mínimo erro da vossa parte. Tudo isto sempre acompanhados por uma banda sonora de excelência, capaz de elevar estes confrontos a proporções épicas. Como novidade, um destes confrontos traz de volta uma mecânica que seguramente estará ainda na memória dos mais saudosistas. Não vos digo, porquê, menciono apenas os nomes: Old Monk e Mirror Knight. Esta expansão fez-me lembrar muito a do primeiro Dark Souls, como já disse e em parte isso deve-se aos dois últimos bosses. Um porque me faz recordar o famigerado Kalameet. Já o último, porque me faz pensar no lendário Artorias e acabou por traduzir-se num dos meus confrontos preferidos de toda a série.

 

Com The Ringed City, a FromSoftware despede-se de Dark Souls III mostrando aos jogadores que havia ainda espaço para só mais uma aventura. Só mais um motivo para desembainharmos as nossas armas e partirmos em busca de mais respostas… e perguntas. Á vossa espera estão 4 novos bosses memoráveis, cenários enormes e um enorme leque de equipamento, como cereja no topo do bolo, pronto a conferir ainda mais variedade às vossas personagens. “Graças ao sol” que motivos não faltam para que atravessem, só mais uma vez, a parede de nevoeiro à vossa frente e mergulhem no desconhecido!



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