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Dark Souls III | Análise

A FromSoftware, em conjunto com Hidetaka Myazaki, presenteou os fãs com uma obra-prima incontornável a qualquer fã da série e do género.

Envolto no mistério que caracteriza a série, ontem, dia 12 de Abril, Dark Souls III chega em toda a sua glória às lojas pronto a reacender a chama quase extinta pela recepção ao seu antecessor. Na verdade, antes que me interpretem mal, permitam-me apenas dizer que não considero Dark Souls II como uma mancha na série. Faltou-lhe memorabilidade, sim, a ausência de Hidetaka Myazaki foi notória mas tal como com a jogabilidade refinada que trouxe consigo e que serviu de base para a que encontramos nesta nova entrada na série, muito do que fez fê-lo bem. Não obstante, o facto desta já ser a terceira entrada (quarta se contarmos com Demon’s Souls) numa série com um estilo muito próprio deixa muitos fãs receosos. Será que percorrer os cenários de Dark Souls III ainda confere ao jogador um misto de deslumbre e de terror? As criaturas e bosses que nos aguardam continuam a oferecer um desafio memorável e gratificante quando superados? Será que ainda há espaço para mais este Dark Souls?

Perguntas pertinentes, caros leitores, e foi com elas em mente que na semana passada dei início à minha aventura. Comprometi-me a só escrever esta análise quando tivesse a resposta a estas questões e… Graças ao Sol, caros escolhidos! Sensivelmente depois de 40 horas de jogo onde fui pisado, esquartejado, incinerado, empalado, mordido, engolido e regurgitado… encerado (não perguntem)… Posso afirmar que a FromSoftware, em conjunto com Hidetaka Myazaki, presenteou os fãs com uma obra-prima incontornável a qualquer fã da série e do género.

A acção deste título decorre no reino de Lothric que se encontra ameaçado pela destruição causada pelo incessante conflito entre as trevas e a luz. Quando tudo parece perdido, eis que das cinzas renasce um herói que para impedir a iminente catástrofe ver-se-à a braços com a hercúlea missão de derrotar os quatro “Lords of Cinder” (Senhores das Cinzas, numa tradução muito livre). Quatro Senhores, quatro antigos heróis – cada um na sua era responsável pelo acender da Primeira Chama – agora prontos a barrar o nosso caminho. A sua derrota permitirá que retomem o seu lugar no respectivo trono. Em conceito, parece simples mas os fãs da série já estão certamente desconfiados que haverá mais por descobrir. Claro que há e se quiserem descobrir mais tal como nos títulos anteriores da série, terão que fazer parte do que os criadores consideram como: o jogo dentro do jogo. Como se de um puzzle se tratasse, recolham as várias pistas oferecidas pelos mais diversos itens e personagens com as quais vão interagindo e desvendem os vários mistérios concernentes ao reino de Lothric.

Aliada a um sentimento de enorme curiosidade, a minha aventura levou-me a locais de cortar a respiração. De facto, artisticamente Dark Souls III é impressionante e isso traduz-se nos cenários que vamos percorrer e na complexa forma como todos eles estão tão ligados entre si. Atravessei um castelo em ruínas, desbravei um povoado onde as gentes que o habitam… não são lá muito fãs de visitas… enfim. Desde a mais simples caverna ou a mais ampla catedral, todos os locais são enormes e implacáveis labirintos, prontos a castigar-nos a cada passo em falso da nossa parte. Alguns cenários têm mesmo de ser percorridos, ao passo que outros podem passar completamente despercebidos aos mais desatentos. Mais do que nos títulos anteriores, a exploração é obrigatória na medida em que os segredos são imensos. Algumas paredes ilusórias, por exemplo, podem esconder um ou mais itens ou um novo caminho que podem percorrer rumo a uma nova área. Por vezes podem até dar de caras com confrontos mais exigentes e, se tiverem sorte, um caminho alternativo pode levar-vos a um bonfire onde poderão sentar-se e recuperar o fôlego antes de retomarem a vossa aventura.

Por falar em bonfires, saibam que novamente é possível “transitar” entre os que forem descobrindo, à medida que progridem no jogo mas, sobretudo, é através deles que podem regressar a Firelink Shrine que novamente volta a servir como Hub ao jogador. É lá que podem fazer level up à vossa personagem e é também onde podem comprar vários itens e melhorar as vossas armas. Mas há mais na medida em que Fire Link Shrine serve também de refúgio a uma série de personagens, algumas das quais encontradas e recrutadas por nós na nossa viagem. Se ficam convosco até ao final da vossa jornada, isso dependerá das vossas acções.

O caminho do escolhido pode ser solitário mas isso não significa que não possamos fazer amigos. Um gigante que conheci, à primeira vista parecia hostil, só que, depois de falar com ele, acabou por se revelar um aliado imprescindível. A sua missão é a de proteger uma misteriosa árvore branca e quem sou eu para questionar o peso da sua demanda? A minha viagem em Lothric fez-me perceber que não era o único com a missão de derrotar os Lords of Cinder. Outras personagens tinham aos ombros o mesmo peso que eu. Uma delas, aliás tinha como local de origem uma região da qual não ouvia falar desde o Demon’s Souls. Quem dá voz a estas personagens fez um óptimo trabalho e falar com elas resultou numa experiência reconfortante. Sobretudo quando a conversa decorria ao som do vento e da chama segura de um bonfire, numa espécie de adiar do inevitável sofrimento que tinha pela frente.

Dark Souls III é como disse implacável e por isso, se quisermos sobreviver e alcançar a vitória, é preciso vestir a nossa personagem a rigor. Só que primeiro há que ter em conta a jogabilidade que neste caso volta ainda mais refinada. Os recém-chegados terão de conseguir contornar uma “ligeira” curva de aprendizagem até conseguirem dominar as suas dinâmicas mas também os veteranos, apesar de notarem alguma familiariedade, não podem de maneira alguma subestimar algumas diferenças que surgem com este título e que conferem a Dark Souls III uma identidade muito própria. Do Demon’s Souls regressa a barra FP com a qual poderão desencadear os vários feitiços do jogo ou ataques especiais melee, designados como Weapon Arts. Cada tipo de armas traz a sua habilidade especial e cada vez que recorrem a essas habilidades gastam um pouco dessa barra. Para a restabelecer, surge um novo flask, o Ashen Flask. Enquanto que o Estus Flask restabelece pontos de vida, o Ashen recupera FP. É também de notar que o uso destes itens é agora mais rápido o que ajuda no aumento da passada de vários, mas não todos os encontros.

Explorar as armas do jogo e descobrir quais as que se adaptam melhor ao vosso estilo de jogo ou à situação em que se encontram é novamente crucial. Na verdade dificilmente irão ter problemas em moldar a vossa personagem ao vosso gosto. É que Dark Souls III traz consigo o mais vasto arsenal que a série alguma vez viu. Desde anéis a armas e armaduras, o arsenal é imenso e vão facilmente reparar que várias peças regressam de jogos anteriores da FromSoftware, um deles mais sangrento.

Tal como já é habitual na série, a exploração dos cenários culmina nas tão aclamadas boss fights e claro que neste jogo o caso não muda de figura. Orquestras e coros ajudam a ritmar passo a passo o desenrolar dos combates o que transmite ao jogador uma envolvência sem precedentes. Os confrontos são mais memoráveis e alguns deles trazem mecânicas em que é preciso puxar pela cabeça para os derrotarmos. Num dos casos, se soubermos o que fazer, podemos derrotar um boss em quatro ou cinco golpes.

Não posso deixar de afirmar que Dark Souls III traz consigo algumas das lutas mais difíceis de sempre na série. Bloodborne marcou a entrada das segundas fases destes encontros e em Dark Souls III isso traduz-se em momentos em que quando pensamos que já terminámos o encontro, eis que o famigerado boss volta a erguer-se com direito a uma nova barra de vida. Num especial caso com direito a um novo leque de movimentos e a uma alteração na banda sonora, novamente num piscar de olhos ao primeiro Dark Souls. Derrotem os bosses e vejam a vossa barra de vida a estender-se e a vossa personagem a ficar incandescente. Tal como acontecia com a mecânica Body/Soul que podíamos encontrar em Demon’s Souls, além do momento em que derrotam um boss, pode ser replicada quando utilizarem um Ember (que vem substituir a Humanity).

Neste estado incandescente podem jogar em “alegre cooperação” com outros jogadores, mas atenção, pois é também neste modo que ficam sujeitos a ser invadidos por outros jogadores. O vasto arsenal disponível no jogo confere ao jogador um enorme leque de abordagens e técnicas que poderá explorar rumo à vitória. Isto faz com que não só a nossa aventura seja mais variada mas também que os confrontos PvP sejam mais imprevisíveis, pois não sabemos que equipamento é que o invasor trará consigo.

Ao longo da minha aventura apesar de estar sempre de olho no futuro de Lothric não pude também deixar de reparar nas várias referências ao passado. Seguramente que essas referências não irão escapar aos olhos dos veteranos da série, mas não se preocupem os recém-chegados. As várias menções ao passado mais servem para alimentar a vossa curiosidade e quem sabe se não vos fazem embarcar numa viagem aos anteriores títulos da série que certamente merecem a pena que o façam. Se este for de facto o último Dark Souls, a série despede-se depois de trazer aos fãs o melhor que tem para oferecer. Fãs do género ou da série, não tenham dúvidas e mergulhem nesta que é uma das mais gratificantes (e implacáveis) aventuras deste ano.



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