Devendra Banhart | “Mala”

Devendra Banhart | “Mala”

Com o seu oitavo álbum de estúdio nas lojas de todo o mundo, Devendra Obi Banhart deve ser um gajo feliz

Influenciado por Bob Dylan e Caetano Veloso, a sonoridade de Devendra encaixa no folk psicadélico alternativo com pitadas “peace & love” e a composição das suas músicas consiste em metáforas, uma economia de palavras e ideias surrealistas. Curiosamente, o seu primeiro nome advém do indiano e significa “rei dos deuses” ou “rei dos céus” e o segundo foi inspirado na saga “Star Wars”. Nasceu no Texas, foi criado na Venezuela e presentemente vive em Nova Iorque e está prestes a casar com a artista sérvia Ana Kraš.

Colaborou com Antony and the Johnsons, Beck, Vashti Bunyan, Os Mutantes, Swans, Vetiver e já tocou com Gilberto Gil e Caetano Veloso. Na bagagem vem “The Charles C. Leary” (Hinah, 2002), “Oh Me Oh My…The Way the Day Goes By the Sun Is Setting Dogs Are Dreaming Lovesongs of the Christmas Spirit” (Young God, 2002), “Rejoicing in the Hands” (Young God, 2004), “Niño Rojo” (Young God, 2004), “Cripple Crow” (XL Recordings 2005), “Smokey Rolls Down Thunder Canyon” (XL Recordings, 2007), “What Will We Be” (Warner Brother Records, 2009) e, agora, “Mala” (Nonesuch, 2013).

“Mala” é uma palavra sérvia e significa my sweet dear thing ou sweetie pie. É provavelmente o disco mais consistente de Devendra. É suave, fácil de ouvir, sem grandes variações melódicas e quente, dentro do seu género. Traz-nos a complexidade estranha do amor e desamores, corações partidos e a procura por essa plenitude mística. Pessoalmente, estava à espera de algo mais psicadélico ou irreverente, tendo em conta a sua vasta discografia, mas surpreendeu-me pela positiva.

O álbum de 14 temas foi co-produzido com Noah Georgeson (amigo e colega de banda), onde ambos tocaram a maioria dos instrumentos. A sonoridade de “Mala” tem como responsável um gravador, comprado numa loja de penhoras, bem velho e antigo, por onde passou muito do hip-hop e rap norte-americano. Devendra escreveu todos os temas excepto «Loring Baker» (escrito por Loring Baker), e todas as melodias excepto «Won’t You Come Over», onde teve a ajuda de Noah.

O artwork de ‘’Mala’’ foi mais uma vez criado pelo próprio artista. Descascando as músicas, em«Your Fine Petting Duck», Banhart canta com Kraš e o músico Rodrigo Amarante (dos Los Hermanos) participa no tema «Mi Negrita». Noutro tema interessante,«Für Hildegard von Bingen», o músico canta sobre sentir-se sufocado e remete-nos para uma santa católica, também ela compositora, escritora e teóloga que viveu no século XXII. Nos tons melancólicos de «Won’t You Come Over» fala-nos do desejo carnal que procura a paixão (“now shake it up, baby, twist and shout, we’re war-torn buildings, all bombed out”). «The Ballad of Keenan Milton» remete a toques à la Kings of Convenience, mas a minha preferência recai, no entanto, sobre «Never seen such good things».

Neste momento, Devendra está a apresentar ‘’Mala’’ no prestigiado SXSW.



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