“Dragões de uma Noite de Inverno” | Margaret Weis & Tracy Hickman

“Dragões de uma Noite de Inverno” | Margaret Weis e Tracy Hickman

Não há dedos para tantos anéis

Entre 1937 e 1949, J. R. R. Tolkien escreveu aquela que é tida como a obra maior da fantasia. Antecedido pela publicação de “O Hobbit”, que abriu o caminho à chegada da Saga, “O Senhor dos Anéis” foi pensado inicialmente para ser publicado num volume único mas, com o desenrolar da escrita, Tolkien acabou por editá-lo como uma trilogia, tornando-se numa influência eterna para as vindouras obras do reino do fantástico.

Para quem já tenha lido a trilogia de uma ponta à outra e ande à procura de um novo reino para percorrer a pé ou a cavalo, “As Crónicas de Dragonlance” (também uma trilogia,)são uma aventura a ter em conta. Andam por lá elfos, anões, humanos e, também, muitos dragões.

“Dragões de um Crepúsculo de Outono”, o primeiro livro da trilogia, funcionou como uma espécie de Irmandade do Anel Tolkieniana, um cartão-de-visita ao heterogéneo grupo de companheiros que está prestes a viver uma aventura de todo o tamanho. Eis alguns deles: Flint Forjadente, um velho anão de 148 anos, que fala consigo mesmo e, como qualquer bom anão, tem uma costela extra de resmunguice; Tanis, um elfo com a envergadura e os músculos de um humano (meio elfo ou meio homem). O único elfo de todo o reino com barba, quase sempre imerso em melancolia; Raistlin, um mago pálido e escanzelado, que ganhou poderes depois de um estranho pacto que quase o matou; Tasslehoff Pé-Ligeiro (ou Tas), um kender, membro de uma raça considerada por muitas pessoas tão incómoda quanto os mosquitos. Além de ser um bom ladrão de carteiras e de se esconder dos outros com grande facilidade, tem um grande sentido de humor; Caramon, com a força e o tamanho de um gigante, irmão gémeo de Raistlin; Sturm Lâmina Brilhante, um antigo cavaleiro que usa ainda uma armadura do tempo do Cataclismo – uma noite de terror em que choveu fogo e os deuses se revoltaram – e tende a ter muitas depressões; Lua Dourada, a Filha do Líder, que anda com um cajado com o poder da cura, protegida por Vento do Rio, seu súbdito e amante.

“Dragões de uma Noite de Inverno” | Margaret Weis & Tracy Hickman

Nesta primeira aventura assistimos a um reencontro de velhos amigos na Estalagem do Derradeiro Lar, em Solace, após cinco anos onde cada um andou pelo mundo para descobrir mais sobre o mal que se havia espalhado. O que não sabiam era que o mal, cinco anos depois, havia também chegado a Solace, onde os deuses antigos haviam sido depostos para dar lugar a um viveiro de fanatismos com uma religião imposta pelos Tecnocratas, abundante em perseguições religiosas e inquisições. Partem então numa demanda que os levará a entrar na temida Floresta Escura, a conhecer a outrora gloriosa cidade de Xak Tsaroth, a dar de caras com os perigosos draconianos – criaturas que no lugar da pele têm escamas –, a lutar com dragões azuis e vermelhos e a enfrentar o poderoso Lorde Verminaard, embaixador da Rainha das Trevas.

Agora, em “Dragões de uma Noite de Inverno” (Saída de Emergência, 2013), os (nossos) companheiros começam escondidos no subsolo, onde aguardam que o Conselho dos Altos Seguidores se decida sobre o destino geográfico a dar ao Martelo de Kharas, o único capaz de forjar as lanças do dragão.

Os servos da rainha dos dragões estão de volta, os povos lutam por salvar os seus lares e as raças estão divididas pelo ódio e pelo preconceito. O destemido grupo dirige-se até Tarsis, uma cidade com um porto lendário, onde se vão deparar com uma grande surpresa. Mas nem tudo será mau. Num dos seus desvios habituais e com a ajuda de uns óculos mágicos, Tas descobre um livro que fala em bolas de vidro que conseguem ganhar controlo sobre os dragões. Mas não só. Há também uma lista com os lugares onde se escondem essas bolas, o que faz acreditar que a guerra poderá ser ganha, quem sabe, com a ajuda de alguns dragões.

Separados pelos acontecimentos, os nossos heróis partem em direcções diferentes em busca das bolas de vidro, enfrentando sonhos gélidos, profecias negras e os ataques concertados da Rainha das Trevas e dos seus temíveis dragões. Conseguirão eles tornar as trevas menos negras e devolver alguma esperança aos povos oprimidos?

“As Crónicas de Dragonlance” são uma parceria literária entre Margaret Weis e Tracy Hickman, que escreveram juntas os primeiros onze livros do universo Dragonlance. Os quatro seguintes foram escritos apenas por Margaret Weis, o que quer dizer que no total falamos em qualquer coisa como 15 livros, entre romances e pequenas histórias. “Não há dedos para usar tantos anéis”, apetece gritar com um sorriso rasgado a tomar conta do rosto. Afinal de contas, fantasia como esta não se arranja assim com tanta facilidade (e qualidade). Espera-se agora que a Saída de Emergência, após a conclusão desta trilogia – em Agosto chega  “Dragões de Uma Alvorada de Primavera” -, continue a publicação dos livros com a assinatura Dragonlance, que nos agarraram pelos cabelos em apenas dois volumes.



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