Eu, Frankenstein

Eu, Frankenstein

O Monstro precisa de amigos

Duas tendências têm- se acentuado nas últimas décadas, no que diz respeito ao cinema de acção/ficção científica:

Uma é a proliferação de anti-heróis a ocupar a lugar dos heróis convencionais, a outra é a adaptação mais ou menos fiel dos velhos clássicos.

Este “Eu, Frankenstein” no entanto é uma adaptação ao cinema, não da obra clássica de Mary Shelley, mas de uma novela gráfica de autoria de Kevin Grevioux, que embora partilhe uma atmosfera gótica com o original, está a muitas milhas da intensidade e do simbolismo da obra do Século XIX.

O escolhido para levar a bom porto esta epopeia neogótica foi Stuart Beattie (Piratas das Caraíbas – A Maldição do Pérola Negra; G.I. Joe – O Ataque dos Cobra; Piratas das Caraíbas – O Cofre do Homem Morto), que se junta ao próprio Kevin Grevioux para escrever o roteiro.

Curiosamente Kevin Grevioux é também o autor do screenplay da saga “Underworld” (partilham também os produtores) e isso nota-se.

Devo confessar que muito me agradam filmes com este tipo de estética gótica, onde vampiros e outras criaturas da noite se digladiam com as forças da luz…que neste caso são mais da penumbra.

Frankenstein é nesta versão, um ser aparentemente imortal e possuidor de recursos sobre-humanos que após ter sido traído pelo seu criador, enceta uma vingança que culmina com a morte do “seu pai” o amoral, Dr. Frankenstein.

Demonstrando respeito pelo falecido, Frankenstein (a criatura) tenta sepulta-lo no jazigo da sua família. É aí, que toma violentamente consciência de uma guerra secreta entre Demónios e Gárgulas que pode decidir o destino da humanidade.

“Eu, Frankenstein” tinha muita coisa a seu favor: Realizador, produtores e escritores que entendem da cepa; Aaron Eckhart e Bill Nighy, mas….A coisa não resulta.

Os efeitos especiais são o que se espera neste tipo de filmes e naturalmente são atraentes ao olho, o gótico está lá e a melancolia invade o ecrã, mas falta intensidade, drama e originalidade.

O filme é pequeno, mas mais do que isso é algo vazio.

Muitos clichés foram herdados de “Underworld”, como a estratificação social dos clãs envolvidos e a interpretação de Bill Nighy que sendo agora o Príncipe Naberius, não consegue deixar de ser o cruel Lord Viktor.

O que dizer da interpretação de Aaron Eckhart como Frankenstein?

Apagada.

Até um ser sem uma alma humana que vagueia pesadamente pelo cruel teatro da existência humana, tem de revelar maior profundidade que a apatia que Eckhart emprega para dar “vida” ou “morte” à personagem.

Uma oportunidade desperdiçada.

Com grande pena minha, sai com um Não Satisfaz.

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