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“Dictado” abre Syfy Fest

Começou na sexta-feira a terceira edição do Syfy Fest, a Mostra de Cinema Fantástico. O filme escolhido para a sessão de abertura foi "Dictado", do espanhol Antonio Chavarrías.

A história passa-se em torno de um casal de professores que adopta temporariamente uma menina órfã. O resultado é uma mistura entre drama e thriller psicológico, com uma densidade psicológica bem conseguida.

O realizador esteve presente no cinema São Jorge e, ainda antes da exibição, referiu que não gosta de apresentar o seu filme, ficando surpreendido com uma sala cheia. Após o filme, houve lugar a uma sessão de perguntas e respostas, com apresentação do crítico Rui Pedro Tendinha.

Relativamente ao que pretendia mostrar com “Dictado”, o realizador fala de uma transposição dos medos de infância para a idade adulta e o peso que esses medos assumem. E o resultado disso, no filme, é a culpa e o medo. “Os medos são da nossa cabeça”, refere Antonio Chavarrías. “Procurei explorar de que modo a culpa e o castigo podem resultar em violência”.

Face aos filmes espanhóis do género nos últimos anos, o realizador afirmou que “viu alguns, não para se inspirar mas sobretudo para saber o que já tinha sido feito com crianças”, sendo que uma das personagens principais é uma criança proveniente de uma família disfuncional. Deu como exemplo os filmes “The Night of the Hunter” e “O Espírito da Colmeia”, ressalvando que “Dictado” está “nos seus antípodas”, pelo facto de não recorrer ao uso do sobrenatural.

O guião do filme é também da autoria de Antonio Chavarrías, adaptado de uma história original de Sergi Belbel, e assenta numa estrutura “de conto clássico, de uma fábula. Os contos clássicos de criança são contos de terror”. Neste caso, é um terror do quotidiano, cuja acção se desenrola numa cidade moderna.

Para além do guião, também a banda sonora foi elogiada pelo público, ao que o realizador comenta: “pedia muita contenção aos actores e a música era um canal para mostrar o que se passava por dentro”. O trabalho foi feito por dois compositores. “Felizmente entenderam-se bastante bem, pois o primeiro tinha uma música muito poética, lírica e emocional, mas falhava do ponto de vista narrativo.”



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