Festival Black White 2015

Festival Black and White

A 12ª segunda edição da mostra de cultura audiovisual contemporânea, que inclui cinema, áudio e fotografia - só e apenas a preto e branco – esteve na Escola das Artes da Católica, no Porto e por outros locais da cidade. Com ele veio o novo filme de Luís Vieira Campos e com argumento de Valter Hugo Mãe, “Bicicleta” e muito mais.

A noite do dia 20 de Maio iniciou ao som de um piano, tocado pelo Maestro Pedro Monteiro, em homenagem a Manoel de Oliveira, o presidente honorário do “único festival do mundo, a preto e branco”.

“Manoel de Oliveira continuará para todo o sempre ligado ao Black and White”, afirma Jaime Neves, o diretor deste evento que tem como prioridade a divulgação do que melhor se faz, não apenas no cinema a preto e branco mas também na fotografia e composição sonora.

No júri estiveram os portugueses César Nobrega, José António Cunha, Nelson Garrido e os espanhóis Dolores Ben Pena e o Toni Bestard. O animador de rádio e jornalista, o membro da direção do Cineclube do Porto, o fotojornalista do Público, a perita em som e o premiado realizador e argumentista apresentados oficialmente nesta sessão decorrida no auditório Ilídio Pinho, no Campo da Foz.

A primeira exibição contou com cinco vídeos, entre eles dois portugueses.

“Le Boudin”, de Salomé Lamas, que intercala o inquietante relato de Nuno Fialho que com 16 anos foi alistado, contra vontade, para a Legião Estrangeira Francesa e uma performance de Elias Geißler, um ator alemão que, ao longo do documentário, representa o discurso de Nuno. Um filme que transporta à tela a fricção entre as duas “personagens”.

“Russian”, de Victor Asliuk, leva ao ecrã as histórias recolhidas em “In the Imperialistic War”, 1915, por Maxim Garecky.

“Cristina”, de Espanha, pela visão de Pedro Roman – mostra o protagonista que enquanto tenta esquecer o passado, recorre a reflexões da mecânica quântica para recuperar “Cristina”.

Na animação, uma das curtas da noite foi “Castillo y Armado”, de Pedro Harres, uma história tão real quanto bem trabalhada.

Por fim, mas nunca por último, a noite terminou com o vídeo-musical “Cine Muerte – Dog”, do português André Guiomar.

Desta edição, o diretor Jaime Neves destacou para além das competições, “alguns momentos muito interessantes da sessão não competitiva, onde damos um destaque à cidade do Porto e resolvemos mostrar o Porto a preto e branco. Como? Vamos fazer um destaque, no terceiro dia do festival, no Cineclube do Porto, que é uma instituição com imensos anos e contribuir para que o público conheça”.

Este ano, a promessa de Jaime Neves cumpriu-se: “Vamos esmiuçar a ‘Bicicleta’!”. E assim foi. A exibição do filme, integralmente rodado no Bairro do Aleixo do Porto, contou com uma sessão extra com toda a equipa de produção, da curta inspirada em “Ladrão de Bicicletas“, realizado nos anos 40 pelo italiano Vittorio de Sica.

O festival, que terminou no sábado, mostrou-se implacável, mais uma edição, a divulgar (e a premiar) todas as produções além-fronteiras, nas duas cores.

Na secção de vídeo, o grande prémio foi entregue à curta “Preto ou Branco”, de Alison Zago: o retrato da ditadura brasileira, aquando o jornalista Eduardo Pena descobre que a consciência pode ser o seu maior tormento.

Na animação foi premiada ‘Canis’, de Marc Riba e Anna Solanas; No vídeo de documentário, o alemão “Surrounded”, de Arne Korner. O prémio para vídeo experimental foi para ‘The Labyrinth’, de Mathieu Labaye, da Bélgica que também venceu o melhor vídeo musical, “Yew — Between Up and Down”, de Frédéric Hainaut e Simon Medard.

A melhor fotografia vai para a obra de Maria Oliveira, ‘Penedo Branco’.

Do Porto para todo o mundo,o evento que celebra o que de melhor se produz, pelos quatro cantos do mundo, decorreu na cidade que viu nascer o “Black and White” e de onde, também, nasceu e (partiu) Manoel de Oliveira.



Também poderás gostar


There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This