00_SUPER_07-03-2026-101

Hinds @ Casa Capitão (07.03.2026)

Do rés-do-chão da Casa Capitão para o firmamento e a celebração. Um SUPER concerto.

As portas da ‘casa’ abrem pouco depois das 20h30 e, pelas 21h, Lesma sobe ao palco. A banda de Leonor, Beatriz e Rita é recente, porém resistente. Ao fazerem da rebeldia o seu porta-estandarte, agarraram esta noite cruamente, como quem é necessariamente honesto, como quem é irremediavelmente dono de si. Lançaram o seu primeiro álbum “É Mentira” no ano passado, do qual, nesta noite, entoaram músicas como «Homem», «Eu sou uma (colher)», «Maria», «Heroína», e a tão afamada «Barreiro». Não têm medo das palavras, gostam do contraste, fazem do tempo vigente o seu último reduto. Rápidas e despachadas, são atentas, quase activistas e têm atitude. Criticam sem perder a graça e a cadência – ser uma colher sem garfo tem muito que se lhe diga, mas também não importa quando não se é ‘prato para toda a gente’. As Lesma criam enquanto falam, falam enquanto cantam. E, dessa forma, encantam. De revés à cordialidade, são quem querem ser – e por entre devaneios e secções rítmicas fortes, emancipam-se – e ainda bem. 

Um concerto de ‘pré-aquecimento’ que foi força-motriz para a dança que se seguiu com a entrada das Hinds em palco às 22h. Por sua vez, este regresso da banda de Madrid a Portugal, ao ser muito desejado, foi também muito repentino. Um concerto marcado – e esgotado – em pouco mais de três semanas não é para todos. Mas é para as Hinds. De rompante e perfurante, sem ruído distrativo, somos militantes desta dupla transformada em quadra. Antes de as mesmas actuarem, escutámos e contemplámos um pequeno mas imenso vídeo sobre aquele que foi o processo de criação, produção e gravação de “VIVA HINDS” (o seu álbum mais recente lançado em 2024). Um processo-árvore que partiu de raízes trémulas para alcançar os ramos mais fortes e as flores mais belas. Transformadas em ‘dia clarear’, construindo pontes estáveis entre o que foi, o que é e o que será (do grupo), as Hinds são movediças porquanto adaptáveis. 

Este concerto, o último da presente tour, trouxe com ele um pop-rock que é ‘bebida energética’ – leia-se, contagiante e funcional. Uma hora e ‘picos’ de concerto que nos colocou no auge, no cume da montanha. «Boom Boom Back» marca o ritmo de entrada. Segue-se «Riding Solo» e «Stranger». Três músicas que reverberam – se a letra das mesmas esbarra em nós como se fosse um adulto apaixonado e desajeitado; por outro lado, a melodia associada consegue tornar-nos hábeis, sem sermos ‘estranhos’ na nossa própria pele. «Garden», «The Club» e «Waiting For You» foram as canções que se seguiram – as quais dão azo às cambalhotas do amor, trapalhão mas paciente. A noite ainda tinha muita vontade de acontecer, o que significou mais e mais partilhas musicais – «Coffee», «Good Bad Times», «Bamboo», «Superstar», «San Diego» (que levou alguém do público a tocar guitarra, em palco, com as madrilenas), entre outras. Terminam com «En forma», que da caoticidade faz verso; que da exigência cria refrão. 

Mesclou-se o inglês, o português e o espanhol; falou-se de bifanas e cerveja ao pequeno-almoço; celebrou-se a existência no feminino; concretizou-se a vida-bailarina, a vida-alegria, a vida-sem-vergonha. Fomos cúmplices e compañera(o)s. Houve coreografias e Carlotta (Cosials) às cavalitas de Ana (Perrote). É certo que foi uma noite feliz – tivemos direito a merch autografado (na hora) e tudo. Por fim, resta a certeza de que enquanto houver Hinds, estamos a salvo. E mais, sejamos crocodilos… (“be a crocodile”)! Não olhemos para trás (“do not look back”).



There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This