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“Homens de Escabeche” a marinar no Campo Alegre

Encenação de António Feio para a Seiva Trupe a partir de um texto da costa-riquenha Ana Istarú.

Numa vontade de trabalho mútuo de há muito, António Feio e Seiva Trupe deram o nó em “Homens de Escabeche”, peça em cena no Teatro do campo Alegre, no Porto, até 30 de Junho.

Feio encena um texto de Ana Istarú e faz as adaptações necessárias a um país diferente e a um público que ainda pouco conhece a escritora costa-riquenha. No entanto, uma mulher que sonha encontrar o amor é um daqueles casos que ultrapassa fronteiras, um típico caso mundial. A protagonista fala dos homens com comédia, ou melhor, com piada, mas sem deixar de aflorar a carência que tem de aflorar e desabafar com alguém.

Em “Homens de Escabeche”, o lado mais conhecido da psicologia de Freud é subvertido. Aqui não é o Homem que tenta encontrar na Mulher a imagem da mãe, mas antes a Mulher que tenta encontrar em qualquer Homem a imagem do pai que lhe faltou em amor.

Para António Feio, a forma como Ana Istarú escreve desanuvia uma possível tensão que possa existir na crítica que não é mordaz, é procura de amor. Não é uma peça feminista, é uma peça sobre uma história simples, que em palco tem vários homens e uma mulher, mas apenas dois actores: Joana Estrela e José Fidalgo. Uma peça tornada rica através do ritmo das palavras que Istarú usa e através das imagens, às vezes extraordinárias, que se misturam com pormenores banais como futebol ou toalhas sujas. Bola e comida são lugar-comum para o homem, mas o sonho também é lugar-comum para a mulher e assenta na perfeição à história encenada por
António Feio, que se mostrou muito surpreendido com o trabalho da actriz Joana Estrela. Também ela vai, para António Feio, buscar a grande riqueza deste espectáculo com as palavras ditas da maneira certa.

Fotografia por António Alves



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