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“Imortalidade”, de Dana Schwartz

Dramas da Corte e os Companheiros da Morte

Imortalidade, de Dana Schwartz (Porto Editora, 2024), é um romance gótico, um hino aos direitos das mulheres, com elementos fantásticos, aliado a eventos históricos, onde Hazel se vê metida nos assuntos da Corte, e numa sociedade secreta de reputação duvidosa.

Dana Schwartz, foi jornalista e crítica nas publicações Marie Claire, Glamour, Vanity Fair, Cosmopolitan, GQ, Entertainment Weekly, entre outras publicações. Além de escritora, criadora de um podcast de História (Noble Blood). 

Só de pensar em Jack naquele momento fizera Hazel sentir um choque elétrico vindo do estômago, como se tivesse engolido algo metálico e vivo. A falta dele penetrava-lhe nos ossos, uma saudade que parecia uma fome que a consumia totalmente.

Imortalidade é uma sequela que segue, sem sobressaltos, as pisadas do primeiro livro. Focado nos feitos de Hazel Sinnett, após os eventos tumultuosos e trágicos de Anatomia, onde esta se encontra sozinha, empenhada na sua carreira, afastando a dor, e ajudando os mais carenciados de Edimburgo.

Hazel continua uma protagonista independente, rebelde, e resiliente, que se mantém fiel aos seus ideais, desejos e anseios emocionais e acima de tudo, profissionais; uma mulher que demonstra crescimento pessoal e capacidade de sacrifício.

Jack foi executado no final de Anatomia, como tal, existe em Imortalidade um sentido de ausência dessa ligação especial, dos momentos do casal. Chega, no entanto, um novo interveniente na frente amorosa, Simon, um médico sueco que cuida da saúde do Rei, e colega de Hazel. Um homem doce e compreensivo, apoiante de Hazel e da sua dedicação à profissão.

Hazel acaba presa após ter praticado um ato considerado ilegal para ajudar uma mulher em apuros, o que quase lhe custa a vida, sendo milagrosamente solta após receberem um misterioso bilhete, e posteriormente transportada para o palácio, onde ficaria encarregue da saúde da Princesa Charlotte. Um feito difícil de cumprir já que não é fácil diagnosticá-la.

Membro honorário dos Companheiros da Morte, uma sociedade secreta composta por artistas e cientistas, Hazel começa a ver que aquele grupo de elite, que inicialmente parecia inofensivo, pode ser mais perigoso do que aparenta, e que as suas motivações podem não ser as melhores. De olhos bem abertos à verdade, é assim considerada um risco, uma inimiga à causa. Novamente com a vida em risco, Hazel terá que tomar muitas decisões difíceis e arriscadas para conseguir sobreviver mais um dia.

Imortalidade, de Dana Schwartz, é a conclusão adequada para a duologia Anatomia, um romance gótico, que aborda a individualidade, independência, mortalidade, amor vs regras da sociedade e o feminismo, numa sociedade dominada pelos homens.  



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