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“The Pearl Sessions”

O legado de Janis Joplin revisto e aumentado

Janis Joplin foi um furacão, uma daquelas tempestades de Verão que aparecem repentinamente, varrem tudo e nada volta ao lugar de outrora. Como um cometa, cruzou os céus da música popular norte-americana, extinguindo-se em 1970 mas deixando um legado na música actual que não se esgota em edições para coleccionadores porque é sempre uma influência, sejam quais os tempos que corram.

“Pearl”, o seu álbum de consagração, foi editado no início de 1971, quando Janis Joplin já tinha morrido, e reunia gravações de estúdio de temas que a tinham popularizado em concertos e festivais nos anos anteriores. Em 2012, a Legacy Records edita “The Pearl Sessions”, que aos temas de “Pearl”, que se tornaram a imagem da cantora, acrescenta faixas inéditas, excertos de gravações em estúdio e conversas tidas entre Miss Joplin (conhecida pelo seu linguajar sem papas na língua) e os músicos e o produtor do álbum durante os ensaios.

«Move Over», «Cry Baby», «Me and Bobby McGee» ou «Mercedes Benz» são talvez aquelas canções onde Janis Joplin atingiu a mestria de uma voz invulgar, potente, nada convencional e, acima de tudo, muito distante do que na época se esperaria de uma cantora texana, branca e educada (supostamente…). Para não falar das poesias que cantava, que chocavam pela sua crueza e desencanto poético. “You say that it’s over baby, Lord/ You say that it’s over dear,/ But still you hang around me, come on,/ Won’t you move over./” é o refrão de «Move Over», bastante explícito na intenção e com tal sentimento na interpretação que não deixa margem para dúvidas: saiam da frente, cuidado com ela! é a sensação dominante.

Há, ou houve, álbuns que nos punham a ser mais por uma música do que por outra. A criar legiões de ouvintes de um tema em particular, e só esse. “Pearl” é dessas pérolas que nos provoca tal reacção. Há os ouvintes todos «Mercedes Benz», que identificam cada sopro da Voz num registo a cappella inspiradíssimo na facilidade com que emergia nos espirituais negros sulistas. Claro que tem de ter o “That’s it” final e o risinho de criança malévola.

Pessoalmente, é «Me and Bobby McGee» aquela música de “The Pearl Sessions” que acabo por eleger. Pronto. Confesso. Porque a sua voz está em excelente forma e tinha Kris Kristofferson, que era uma influência muito positiva. Aqui, ela está a cantar a canção de um amigo, e isso sente-se.

“Freedom is just another word for nothing left to lose/ Nothing, that’s all that Bobby left me, yeah”/

mas acrescenta

“But feeling good was easy, Lord, when he sang the blues/ Hey, feeling good was good enough for me, hmm hmm/ Good enough for me and my Bobby McGee.”



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