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Seasick Steve, “Walkin’ Man [The Best of Seasick Steve]”

Rock! Blues! Estados Unidos da América!

Aos 71 anos de idade, mas com perfil de adolescente, o percurso musical de Seasick Steve não começou de forma fácil e a vida também fez com que tivesse que partir muitos muros para alcançar a reputação que tem actualmente. Nos anos 60 acompanhou uma tournée com alguns músicos de blues que lhe proporcionou conhecer artistas bastante influentes como Janis Joplin e Joni Mitchell. A partir daí passou a trabalhar no mercado editorial discográfico e, nos anos 90, produz o primeiro álbum dos Modest Mouse que os catapultou para o sucesso. Na década de 2000, depois de ter tentado a sua sorte na Europa, mais concretamente em França e Noruega, Steve regressa a terras do Tio Sam e edita o seu primeiro álbum “Cheap” em 2004 acompanhado pelos Little Devils.

Depois de tantos anos na penumbra, Steve só se torna um autêntico fenómeno de popularidade após o lançamento de “Dogs House Music”, lançado em 2006 e que lhe garante presença no programa americano Jools Holland’s. A sua brilhante actuação traz-lhe a vida das luzes da ribalta e Steve marca o seu nome no universo musical, vendendo mais de um milhão de discos por todo o mundo e tocando em inúmeros festivais de música por toda a Europa.

No ano passado, Steve apresentou-se pela primeira vez em Portugal no Festival Optimus Alive’11. O recinto do palco secundário tornou-se pequeno para todos aqueles que queriam assistir à aparição de um semi-deus do blues. A sua aparência podia assustar aqueles que nunca tinham ouvido falar dele – a pele dourada e crispada do sol, a barba comprida e branca que lhe dá o ar de avô motard em plena Route 66, com tatuagens arrojadas que lhe dão ar de arruaceiro, ou seja, autêntico marinheiro em terra. Falou também da sua paixão pela língua portuguesa e que o seu avô nasceu nos Açores, o que deixou todos encantados. O que torna a obra de Steve mais extraordinária ainda são os seus instrumentos musicais. As guitarras que o acompanham estão preenchidas com fita-cola e as pandeiretas made by himself, compostas por pedaços de madeira e caricas, arames e pregos. Tudo caseiro, artesanal, mas que arranham acordes genuínos. Tudo em nome do puro e simples antagonismo do que é o glamour do blues.

Acaba também de chegar a Portugal “Walkin’ Man – The Best Of” que reúne as 21 canções mais populares do cantor. Cada letra significa uma história verdadeiramente vivida pelo próprio Steve. Cada canção é partilhada como um desabafo de uma vida dura e com boas lições de vida. Desde a música «Dog House Boogie», que também é título do seu segundo álbum e que a dada altura nos conta que Steve saiu de casa aos 14 anos para não ter que matar o namorado da sua mãe que sofria de violência doméstica, passando por «Diddley Bo» que parece que vai explodir a qualquer momento mas que fica a meio gás, o toque sexy e folk de «Happy Man», as baladas «Xmas Prison Blues» e «Dark», este disco transformou-se numa mixtape de sensações e frustrações que nos mostram que Steve é um bom pirata e fintou os maus (ou males) do quotidiano. Mais de uma hora de ensinamentos que nos encanta ao início, mas que no fim nos podem deixar enfadados, mas nunca cansados!



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