Kumpania Algazarra | “A Festa Continua”

Kumpania Algazarra | “A Festa Continua”

A festa continua, seguramente. E no próximo dia 11 de Abril a banda conversa com os fãs no Bar do Teatro Rápido e oferece um showcase exclusivo

Banda originária de Sintra, os Kumpania Algazarra protagonizam, desde a sua formação, em 2004, uma personificação do festim natural da tão conhecida serra do Palácio da Pena: uma fusão entre o verde puro e o vendaval dos montes; entre a chuva que tantas vezes disfarça perante a limpidez do céu.

Composta por 9 músicos, encabeçando, cada um deles, instrumentos caracteristicamente bálticos, a banda assemelha-se vivamente ao folk universal, polvilhado pelo ska, encantado pelas origens ciganas da zona dos Balcãs. Culmina, então, num som enérgico, detonado por clarinetes e trombones e percussões frenéticas e espontâneas, semeadas pela noção social que aparenta existir no âmago das composições: uma sátira constante ao nosso Portugal, acompanhada pela inerente inconsciência patriótica de sorrir perante os ouvintes, sorrindo estes de volta.

De facto, o álbum de estreia homónimo, de 2008, que tantas estradas portuguesas percorreu, tinha como essência essa diversidade perante o que se faz hoje, afirmando-se como um carpe diem de tons Gogol Bordello look alike. Afirmou-se como uma inauguração pessoal sólida, com propósito e direcção, com precaução no êxtase para que as melodias de KA tendem, obtendo um equilíbrio de renome quanto à pequena diferença que distingue a vulgaridade e o comedido.

“A festa continua”, entretanto. Nesta progressão sintrense, verifica-se uma juventude sonora mais vincada do que no début; existe uma frugalidade mais complexa, uma espontaneidade contínua e eficaz. Esta característica não é exclusiva das composições mais progressivas: de facto, os sopros e as percussões vêem, hoje, um horizonte mais extensivo, mas também a fusão de géneros se torna uma constante ao longo do trabalho, protagonizando uma diversa sonoridade que se demonstrava latente. A sátira social genuína dos Kumpania ferra os dentes no rock folclórico de Maré, metamorfoseando-se este, mais tarde, numa derivação ska dos blues, por exemplo.

Trata-se, portanto, de vírgulas transformadas em apóstrofes; a conformação estreante desenvolvida na sua consequente desinibição. «Me No Slave» floresce em ritmos definidos, num monólogo musical dançante, em seis minutos de sopros funkys. Por vezes, no entanto, verifica-se uma deslocação demasiadamente altiva que infere a zona de conforto mínimo desta Algazarra: «A Festa Continua», traçada levemente por reggae e música popular, descai na vulgaridade rural da composição lírica contrastante, entre austeramente limitadas palavras de propaganda à banda e letras para Portugal e da melodia que perde em consistência e vence em volatilidade ignóbil.

Enfim, excepções. Imediatamente antes, «Será Chuva» é perpétua na, provavelmente, mais significativa faixa. Do crescendo conformado nasce uma explosão de trompetes, ecoando “Será chuva, será gente / Quem seja vai entrar na corrente. / Movimento oscilante / Faz-nos por os pés mais adiante” como um impulso de disposição tão identificável na banda. Esta dicotómica existência produz momentos de resignação que se dissipam, prontamente, na irreverência sonora: um álbum talhado para a realidade.

E persiste até ao fim. Um récord produzido de coração, para o espírito, com uma inovação musical que, embora não saia incólume, excepcionando, culmina num interesse honesto e justificado, na comemoração vitalícia propositada que é realmente a razão de ser dos Kumpania Algazarra. «Bambará» termina dignamente esta monarquia festivaleira, essa generalidade que não se revê numa monotonia carnavalesca; a festa continua, seguramente.

“A Festa Continua” será lançado no próximo dia 8 de Abril (segunda-feira).

Conversa e showcase exclusivo para fãs

Com um novo álbum acabado de lançar, os Kumpania Algazarra apresentam “A Festa Continua” aos seus fãs em discurso directo e aberto a todos na próxima quinta-feira, 11 de Abril, no Bar do Teatro Rápido. Uma fantástica oportunidade de conhecer os membros da banda e fazerem-lhes todas as perguntas que sempre quiseram fazer. A conversa começa às 21.30 e vai ser moderada por Diogo Montenegro, da RDB. No final, os Kumpania Algazarra dão um showcase inédito e exclusivo para todos os presentes.

A entrada é gratuita, mas os lugares limitados. Garantam já o vosso lugar neste passatempo.

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