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Lagaet

A roda de break é o ultimo reduto da expressão de um b-boy, e foi numa recriação em grande escala desse ambiente que Lagaet — o talento português mais falado em matéria de breakdance no ano que agora acaba — teve oportunidade de ser um dos actores principais no passado dia 18 de Novembro.

Os sete anos passados desde que Gaetan (yeap, é o nome verdadeiro de Lagaet) testemunhou o b-boying pela primeira vez (via power moves ensaiados por um colega de escola) esticaram o suficiente para transformar um rookie numa indiscutível referência a nível nacional e internacional: nos últimos 3 anos, angariou classificações de topo (meaning… 1º lugar, no less) ao competir em Luxemburgo, em Espanha e também por cá.

Como se estas recentes adições ao seu CV não fossem já razão suficiente para que se dê a Lagaet a devida atenção, este b-boy residente no Porto tem ainda vindo a enriquecer a sua carreira graças ao espírito empreendedor que carrega consigo, desenvolvendo actividades paralelas à competição, entre as quais se incluem a organização de jams de b-boys e b-girls, workshops e aulas de dança para a DanceFact, a escola de dança da Momentum crew (a família de b-boys de que Lagaet faz parte: google it!) e, last but not least, os intensos ensaios que lhe trazem a tão procurada evolução para o próximo nível.

Mas cada gota de suor valeu a pena, e à conta de viver para esta vertente da cultura hip hop, Lageat pode gabar-se de estar presente em DVD conceituados na cena mundial, como o “Battle of the Year” e o “Eurobattle”. A par disto, tem polvilhado o mundo com as suas actuações: Sibéria, Holanda, Coreia, França e Irlanda são alguns dos países agraciados com os moves de Lagaet – e, no dia 18 do mês passado, estreou-se em Nova Iorque, no palco do mais especial de todos os eventos, o Red Bull BC One.

Este acontecimento anual itinerante já passou por Biel, Berlim, São Paulo, Joanesburgo e Paris, tendo estado na sua sexta edição alojado no coração da cidade do planeta cujo pulsar é mais hip hop. Mais uma vez, reuniram-se os 16 talentos mais promissores do b-boying mundial para competir “mano a mano” pelo cinto de campeão – e Portugal tem mais hoje street cred do que nunca, por ter sido neste ano representado pela primeira vez no Red Bull BC One.

Na noite da grande batalha, o lendário rapper KRS One — porta-voz indisputável das verdadeiras raízes e motivações da cultura — foi anfitrião da círculo de breakdance cujo middle name é exclusive por excelência e usou com toda a propriedade uma t-shirt com um print garrafal elucidativo: I AM HIP HOP. O mote estava dado, e os 16 candidatos a melhor b-boy do planeta não tinham outra opção senão fazer-lhe jus através de performances que subissem a fasquia para moves nunca antes dançados.

Lagaet mostrou ao mundo de que é feito o seu swagga logo no primeiro round, numa feroz batalha contra Neguin, provando que fala a sério quando diz que o que mais gosta em breakdance é a b-boy attitude — foi sintonizado nesse comprimento de onda que devolveu uma prestação rica em feeling e em variedade de power moves (os movimentos mais arriscados e visualmente espectaculares, como o flare e o windmillI) estilizados à medida da personalidade de Lagaet, trancando as rotinas com freezes que pareciam fazer parar o tempo e levaram o público à apoteose. Acabou por ser Neguin, no entanto, a levar a melhor e a prosseguir para a etapa seguinte, depois de uma votação de 4 contra 1. Na final, dedidiu-se o vencedor do Red Bull BC One deste ano: foi um repetente, Lilou, o fabuloso b-boy francês que recebe agora este título pela segunda vez.

Os nossos olhos continuam postos na promessa de um futuro brilhante para Lagaet: movimento, destreza, criatividade e flow parecem ser dons naturais para este jovem de 21 anos cujos passos nunca perdem um tempo que seja do beat lançado pelo DJ – e é com intervenientes assim tão certeiros que a cultura hip hop em Portgal vai tendo o que merece.



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