Ler é o melhor remédio
Da estimulação do nervo vago à longevidade saudável

Estimula o teu nervo vago
de Antonio Valenzuela
Nascente (penguinlivros.pt)
Partindo de uma ideia simples, mas cada vez mais presente no discurso contemporâneo sobre bem-estar, de que o corpo e a mente não funcionam em separado, comunicam constantemente, e o nervo vago é uma das principais vias dessa ligação, Antonio Valenzuela, fisioterapeuta, especialista em Terapia Manual e mestre em Psiconeuroimunologia Clínica, cria um guia que mergulha nesse território onde a ciência encontra a prática quotidiana, explorando o papel do sistema nervoso na regulação do stress, da ansiedade e do equilíbrio emocional, enquanto reduz a inflamação.
O especialista espanhol vai além da teoria, traduzindo conceitos da neurociência em estratégias concretas, como exercícios de respiração, estímulos sensoriais, movimento e pequenas rotinas que visam reequilibrar o organismo. A escrita, direta e sem complicações, aposta numa linguagem “familiar”, o que facilita a leitura e aproxima o leitor das propostas apresentadas.
Dividido em sete partes, o que dá consistência ao conteúdo de Estimula o teu nervo vago não é apenas a componente informativa, mas experiência do próprio autor. Há nessa partilha uma dimensão pessoal na forma como as práticas são introduzidas, conferindo autenticidade ao discurso, ao mesmo tempo que o afasta de um registo puramente prescritivo. Por isso, em vez de impor soluções, Valenzuela sugere caminhos.
Com essa filosofia, ganha o leitor ao adquirir ferramentas simples, integráveis no dia a dia, com potencial impacto na gestão do stress e da ansiedade, enquanto, por outro, é convidado a uma leitura crítica, sobretudo perante as promessas implícitas.
Tome nota
«O nervo vago funciona como uma espécie de autoestrada de informação nos dois sentidos através da qual o cérebro e o corpo comunicam entre si. Por outro lado, recolhe informações relativas ao ambiente interno do nosso organismo e, por outro, é responsável por orquestrar a resposta do corpo em momentos de descanso, digestão e relaxamento.»

Prevenir, curar, viver
de André Dourado
Contraponto (contrapontoeditores.pt)
Especialista em longevidade e Medicina Integrativa, André Dourado defende que uma vida longa e saudável está ao alcance de todos, sendo que o acumular de anos está à distância de plano que protege o organismo com o passar do tempo.
Assente nessa premissa, este livro desenvolve uma abordagem centrada na longevidade ativa, onde a prevenção surge como eixo estruturante. Assim, ao longo dos sete capítulos, Dourado propõe um modelo de saúde que começa muito antes da doença, assente em pequenas decisões quotidianas (alimentação, atividade física, sono, relações sociais) que, acumuladas, podem influenciar o envelhecimento e até o chamado “relógio biológico”.
A ambição é clara e quer mostrar que o corpo pode ser “otimizado” e que a longevidade não depende apenas da genética, mas também da forma como interagimos com o ambiente e com os nossos próprios hábitos. Para o comprovar, o autor introduz conceitos como biomarcadores e epigenética, procurando explicar como o organismo envelhece, e, sobretudo, como pode ser influenciado nesse processo.
O especialista, com formação em áreas como biologia e naturopatia, e diretor de Longevidade Integrativa e Medicina Integrativa da Longevity Wellness Clinics, traduz conhecimento técnico em orientações acessíveis, quase como se cada capítulo fosse um convite à mudança gradual, mas consistente.
Essa perspetiva é, aliás, uma das forças de Prevenir, curar, viver, havendo ainda espaço para a partilha de uma visão relativamente abrangente da saúde, que inclui não só o corpo, mas também o contexto social e emocional, como nos relacionamos, por exemplo, surge como um fator relevante no equilíbrio global.
No fundo, estamos perante um convite a olhar para o corpo como um processo contínuo, e a perceber que a saúde, mais do que um estado, é algo que se constrói todos os dias, muitas vezes em decisões pequenas, quase invisíveis, defendendo o especialista que, “ao transformar a nossa epigenética, daremos mais vida aos nossos anos, e não apenas mais anos à nossa vida”.
Tome nota
«Cuidar do corpo e da mente desde o mais cedo possível é importante, para não padecermos de doenças de velho na juventude. Isso não quer dizer que não possamos cometer pecados, claro que sim, uns mais do que outros, até porque se soubermos estimular a capacidade regenerativa, eles podem ter pouco impacto na longevidade. A vida não é matemática, e a saúde também não. Mas a mente, assim como a energia interior a que alguns chamam alma, possui poderes ainda desconhecidos pela ciência.»
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