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Lavoisier @ Culturgest (12.03.2026)

O concerto certo, no momento certo.

Os Lavoisier num formato alargado de banda, com o guitarrista e multi-instrumentista Pedro Branco, o baixista Ricardo Dias Gomes e o percussionista Diego Sousa a juntarem a Patrícia Relvas e Roberto Afonso, é por si só um ótima motivação para vê-los ao vivo. Junte-se “era com h” à equação e o que não nos falta são motivos para sorrir.

Começamos embrenhados em sons da natureza. Escutam-se pássaros, chuva e trovoada, e pelo meio surgem vozes humanas a entoar um cântico.

A viagem tem início ao som de «Segadinhas», canção popular de origem minhota, antes de começarmos a percorrer “era com h”, pela «Ponte», um poema da autoria de José Luís Peixoto surge com um baixo provocante de Ricardo Dias Gomes e a voz magnífica Patrícia Relvas acompanhada pela linguagem corporal que funciona como um instrumento silencioso, mas essencial nesta identidade.

Raquel Nobre Guerra oferece as palavras de «O Mundo Bem Monstro» envolvidas pelo lamento da guitarra de Pedro branco. Em «Banquete Ácido», um poema da autoria de Maria Giulia Pinheiro, acompanhamos a trajectória descendente de uma relação de uma forma contagiante.

Segue-se um desvio por “Aí”, álbum de 2022, de onde escutamos «Operalatéria», «Passeata» e a a sua canção homónima, tudo num registo mais musculado, quando comparado com o registo mais delicado de “era com h”.

«Quiçá o Mar» de Vinicius Terra, rapper brasileiro, apresenta-se de início reservada e contemplativa, mas rapidamente se desdobra em múltiplas dimensões sonoras. Já Nástio Mosquito trás a sua veia activista a estas belas canções com «Portugal não me respeita».

«Era uma menina» de Maria do Rosário Pedreira é crua e dilacerante, tudo devidamente acentuado pela distorção da guitarra de Pedro Branco, enquanto se versa sobre a morte mais terrível de todas.

«É pena que os peixes não saibam cantar» de José Anjos soa assustadoramente atual nas palavras e «Melúria» da autoria de Filipe Homem Fonseca arranca etérea para desabrochar entretanto, com Patrícia Relvas a sair um pouco de palco para os restantes quatro elementos enveredarem por um diálogo cacofónico com os respectivos instrumentos. Com o regresso de Patrícia ao palco continuamos a lamber as nossas feriadas, “sem sal nem mel”.

Depois, com um groove contagiante desenhamos o mais belo mapa em «Mais uma bela canção de amor e luta», da autoria de Nuno Miguel Guedes. Esperança e luta são vitais. Agora, mais do que nunca.

Antes de um regresso ao palco apenas do núcleo duro da banda, escutamos «Pé de vento» de Alice Neto de Sousa, com ginga, e completamos todas as paragens de “era com h” e há tempo para sentidos e honestos agradecimentos, envoltos numa longa e merecida ovação.

Para encerrar o que foi uma noite bonita ficou «Sra. do Almurtão», última canção de “Projecto 675” resultado de uma colaboração de José Fortes (mítico técnico de som da música nacional) , em Vilar, no concelho do Cadaval, e editado em 2016. Despida de tudo mas belíssima.

Mereciam uma sala cheia. Mereciam pois.


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Fotografias por Vera Marmelo e gentilmente cedidas pela Culturgest.



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