Turnstile_Kalorama_2026_Graziela_Costa-1364

Meo Kalorama 2026 | Dia 3 (30-08-2026)

Texto por Miguel Barba e fotografia por Graziela Costa.

Pelados

Pop Rock com origem em São Paulo e em estreia fora de solo brasileiro, pelo que Portugal e o Kalorama em Lisboa são uma escolha natural e acertada. O som alterna entre um pop rock e um rock mais vincado, combinando riffs e uma electrónica, na procura de ser um elemento diferenciador. Entre crises existenciais, futebol e boa disposição, a banda vai apresentando canções e certamente angariando novos fãs.

High Vis

A banda londrina tem aproveitado a embalagem dada pelos Turnstile — que os convidou para os acompanhar na sua tour — para rodar ao vivo o seu punk hardcore combinado com post punk e aqui e ali com umas pinceladas indie, para a working class (power to the people!), quase sempre a elevada rotação, pelo que o mosh pit, mesmo tímido e pequeno, surge na mesma. O vocalista Graham Sayle partilhou ainda o episódio que viveu em 2025 e que o colocou em risco de vida, numa situação que o levou a rever a sua relação com as drogas e a bebida: “there is another way”, como fez questão de frisar, com o sotaque da zona de Merseyside, de onde é originário. 50 minutos de descarga de adrenalina para garantir que não acumula demasiado para o que ainda se vai seguir.

Wednesday

Os Wednesday, sem MJ Lenderman, trazem a sua mescla emo-noise-shoegaze-rock, bem vincada na alternância entre os gritos e o registo melódico que Karly Hartzman incute no seu registo. As guitarras carregam bem as canções e há ainda espaço para uma slide guitar que saca os riffs cruciais. A banda da Carolina do Norte, que integra o catálogo da sempre mui recomendável Dead Oceans, não esconde ao que vem, em busca daquele sucker por um simples e directo potencial banger melódico. Há a dedicatória a Dolly Parton com uma das canções em que apresentam um registo mais alt-country.

Peaches

Não falha na capacidade de chocar e prender a atenção. É acima de tudo uma performance, provocante e disruptiva. O som surge pré-gravado e com os bailarinos a desempenharem um papel fundamental a ligar as várias partes da performance e dando a cobertura necessária a Peaches para poder trocar de indumentária, sempre que necessário. O desconforto de muita gente no parque da Bela Vista perante a postura é palpável e deliciosamente provocante. Apoiar a causa Palestina é senso comum. Apoiar a sua comunidade gay é um passo ainda mais além, reflectido na mensagem no fato de banho branco que usa a dado momento. Impressionante o à vontade de Peaches com o seu próprio corpo e, em especial, o seu à vontade junto de outras pessoas que claramente não comungam da mesma forma. Peaches andou sobre o público, rolou e esteve sempre no controlo. Impressionante. O final é feito ao som de «Fuck the Pain Away», com Brendan Yates, vocalista dos Turnstile. “Fuck racism, fuck fascism, free Palestine!”

Turnstile

Antes da entrada da banda em palco escuta-se «O Corpo é que Paga», apanha toda a gente de surpresa. Depois escutam-se pássaros antes de aparecer a palete cromática característica, e que tão boas fotos garante, altura em que a banda, já em palco, se lança a «BIRDS». A partir deste momento, uma loucura intensa mas saudável desce sobre o Parque da Bela Vista. O hardcore está bem e recomenda-se. Que bojarda sonora. «ENDLESS» seguida por «I CARE», que surge ligada com «DULL», onde alguém surge na plateia segurando um telefone antigo, daqueles de disco, enquanto uma multidão canta a plenos pulmões “Deep in the night, I’m waiting for the call”. Incansáveis, em cima e em baixo. «DON’T PLAY», «Drop», «MYSTERY», «SOLE». Durante todo o concerto, câmaras andaram pelo meio do público, transportando para os ecrãs em palco a intensidade com que cada nota, cada verso, foi vivenciada. «LOOK OUT FOR ME» e «HOLIDAY», um breve momento para recuperar o fôlego, e depois ainda «BLACKOUT», «NEVER ENOUGH» e «T.L.C. (TURNSTILE LOVE CONNECTION)», que fica a ecoar no sistema de som, e nos nossos ouvidos.

Deftones

«Be Quiet and Drive (Far Away)» garante uma entrada a rebentar, seguida por «Swerve City». Chino está em forma e «Around the Fur», com aquela bateria matreira imediatamente antes da guitarra entrar, é uma entrada a pés juntos. Investimos depois por “Saturday Night Wrist”, ao som de «Cherry Waves». Uma balada no formato Deftones, com Chino de guitarra em punho. Eis-nos em “White Pony”. Primeiro com «Feiticeira» como uma onda sónica que varre tudo à sua frente, e depois «Korea» mantém-nos no mesmo registo e nós sentimo-nos 25 anos mais novos. A discografia dos californianos é extensa, diversificada, mesmo com os seus altos e baixos. A primeira paragem em “Private Music” acontece com «my mind is a mountain» e «locked club». «Rocket Skates», «Risk» e «Sextape» surgem em representação de “Diamond Eyes”, com a última a deixar-nos à deriva e sem pé, quase a afogar-nos, em silêncio. Mesmo antes do encore vibramos com «My Own Summer (Shove It)», acompanhada de forma épica por todos, e a portentosa «milk of the madonna». O encore traz um gigante sol laranja, que ocupa o fundo do ecrã, e Chino Moreno a cantar «Change (In the House of Flies)», num momento daqueles que fica na retina de qualquer um. Para rematar com chave de ouro, regressamos a “Around the Fur”, com «Lotion», e encerramos com chave de ouro no longínquo mas seminal “Adrenaline”, com «7 Words». “Suck, suck, suck, suck, They fuck with my head”

O MEO Kalorama estará de regresso em 2027, nos dias 27, 28 e 29 de Agosto, no Parque da Bela Vista.

.

Leiam aqui as reportagens do primeiro e segundo dia do festival.



There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This