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Moon

Duncan Jones estreia-se na realização de uma longa-metragem com um filme de ficção científica que nos faz lembrar os que eram feitos no fim dos anos sessenta, altura em que o pai, David Bowie, alcançava o estrelato com Space Oddity. Mas este filme é menos "Oddity" e mais "Odissey".

“There’s a starman waiting in the sky”
Starman, David Bowie

Sam Bell (Sam Rockwell) é um astronauta que se encontra há três anos na estação lunar de Sarang, onde é feita a extracção de Helium-3. Faltam apenas cerca de duas semanas para acabar contracto e voltar à Terra quando um acidente de trabalho leva à descoberta de factos insólitos, que põem em causa a sua realidade.

Realizado por Duncan Jones, “Moon”, cujo orçamento rondou os 5 milhões de dólares, é um belo filme que vale (muito) a pena ser visto. Ao contrário da maioria dos filmes cuja acção ocorre no espaço (o sideral), esta é uma obra de ficção científica e não um filme de acção que por acaso se passa na lua. É importante entender-se este filme como tal e enquadrá-lo no seu género.

Vamos ser mesquinhos: tem-se falado de hard sci-fi para descrever o filme e por isto entende-se um sub-género literário com especial ênfase em questões científicas. Isto não quer dizer que o filme seja um desfilar de questões técnicas ou maquinaria futurista por si só, aliás, o filme aborda essencialmente questões que são caras às ciências sociais, característica de uma categoria do hard sci-fi que curiosamente se chama soft sci-fi.

É impossível não ver 2001- Odisseia no espaço neste filme. A homenagem é explícita na fotografia, no décor, até em GERTY, um robot que muito deve a HAL 9000. Mas isso não é defeito quando até sabemos que é pecado pensar-se na ficção científica enquanto género cinematográfico sem reconhecer o que o clássico de Kubrick lhe deu. Também não é fácil deixar de lembrar os dois Solaris, principalmente quando a banda-sonora tem tantos pontos em comum com a que Cliff Martinez compôs para o spin-off romântico que Soderbegh viu nos textos de Stanislaw Lem.

Este é um filme feito por alguém que aprendeu com os bons exemplos e Jones sabe filmar o seu Sam com o que o rodeia, que é o mesmo que dizer Sam com o que o isola. Mas é também do argumento de Nathan Parker que vem muita da força do filme. Apesar de rapidamente percebermos o que se está a passar naquela base lunar a narrativa prende-nos até ao fim. É que a certa altura os pontos-chave do argumento não são as revelações mas sim a reacção dos personagens a estas. E aí o filme é Sam Bell, é Sam Rockwell, e somos nós projectados nele.

E se é pouca a vontade de abordar os aspectos mais técnicos do filme (efeitos especiais, som, design, etc..) é por estes serem perfeitos e servirem a história em vez de pedirem protagonismo. É que este é um filme sobre alguém que se encontra a si próprio, o objecto dramático de tantos filmes de sempre, por ser algo que acontece em todas as vidas.



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