Mumford & Sons @ Coliseu dos Recreios (23.03.2013)

Mumford & Sons @ Coliseu dos Recreios (23.03.2013)

Coliseu esgotado para receber a máquina oleada que debita o coração em cada acorde

Com Lisboa a choramingar, as portas do recinto abrem com pontualidade britânica. O mundo de gente que esgotou o Coliseu dos Recreios começa a entrar. Um mundo de gente jovem, bem mais jovem do que estava à espera, para ser sincera. Com um cenário algo circense, com luzes penduradas sobre as primeiras filas, sentia-se uma ansiedade no ar, talvez devido ao público bastante jovem.

Jesse Quin começa pontualmente às 21 horas, abraçado à sua guitarra. Dotado de uma melodia calma e voz penetrante, Jesse parece uma versão mais calma da banda principal, sem rede e sem apoio, apenas ele e a guitarra em palco. Para a última música escolheu um ritmo mais rápido, acompanhado por um violinista que fez a transição para um ritmo mais quente e menos melancólico.

Deap Vally: Duas miúdas, uma bateria e uma guitarra, pouca roupa e um rock que parece vindo dos finais dos anos 70 ou princípios dos 80s. Uma banda oriunda de LA, que começou a dar os primeiros passos em 2011. À terceira musica entra um dos elementos de Mumford & Sons para as acompanhar. Rock e um banjo; parece bem e soa ainda melhor! Lindsey Troy, a menina loura que toca guitarra, consegue sacar dela um som poderoso, aliado a uma voz que fica mais rouca e crispada quando puxa pelas notas mais agudas. O público estava a absorver tudo o que se passava em palco, respondendo com palmas a compasso; mas havia quem conhecesse e acompanhasse as letras. Surpreenderam pela positiva; sem dúvida uma banda a explorar.

Espaço para Mumford & Sons, agora em palco. Eles chegam e é o histerismo. Gritos e mais gritos… Tocam e cantam sempre acompanhados pelas vozes em uníssono de um Coliseu esgotado, ao ritmo das palmas. Mostrando que, com dois álbuns apenas, conseguem ter singles tão fortes e marcantes e uma legião de fãs desta dimensão.

Não há músicas desconhecidas: de uma forma ou de outra elas já nos chegaram aos ouvidos. Em palco, a banda mostra-se muito confiante, multifacetada e disciplinada. Os vários concertos que antecederam o desta noite permitiram olear a máquina que saceia aqueles que sabem de coração cada acorde, que vibram com o banjo, o trio de sopro, a passagem do vocalista pela bateria. A competência da banda é altíssima. E é emocionante a forma como o público se oferece, como se dá e esbanja energia, que nunca esgotou.

Um momento curioso acontece quando, depois de um “we love you” gritado pelos vários fãs na sala, o vocalista entrega-se também e afirma que não tem por hábito retribuir esse amor porque é algo muito forte (e que a Rihanna o faz com frequência), mas ao ver todos reunidos e o facto da sala ter esgotado faz com que seja sentido o “I love you” que debita após o discurso e afinação da guitarra. Momento que pareceu mesmo sincero; outro momento sincero foi quando, após um problema técnico na guitarra eléctrica, precisamente na última música, a expressão de desilusão e frustração fosse tal que esta acabou desfeita em pedaços.

O concerto termina mas pouco se espera pelo encore de três músicas. A primeira, com as meninas de Deap Vally, para uma despedida em grande deste duo que volta para casa depois de três semanas na estrada com Mumford & Sons, e também com Jesse Quin na bateria – a família toda reunida!

O concerto acaba com o apoteótico «I Will Wait», em que não houve viva alma que não saltasse e cantasse. Temos um público muito forte e energético, ao ponto de depois ainda cantar o refrão de «Come Together» dos Beatles ao sair do recinto. Sem dúvida que os Mumford & Sons são uma banda de respeito e com elevado carisma. Vieram para ficar e nós acompanhamos. Até breve!

Fotografia por Marisa Cardoso



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