Nancy Elizabeth e James Blackshaw @ Maria Matos

Numa primeira audição, parecem não existir muitos pontos comuns quando escutamos a obra de cada um destes músicos. No entanto, na premente necessidade de descobrirmos a justificação pela qual Nancy Elizabeth e James Blackshaw se encontram ocasionalmente em palco teremos que culpabilizar a folk como parte da razão desta relação. Ainda assim, comungam duas visões e distanciamentos distintos desta herança, com Nancy a procurar a emotividade nas canções, enquanto James desenvolve a gramática que nomes como John Fahey ou Steffen Basho-Junghans impuseram na folk moderna. Por outras palavras, o cânone verbal nas mãos dela, a complexidade virtuosa nas mãos dele. Wrought Iron (2009), o segundo álbum de Nancy, colocou-a num patamar de excepção, assumindo o piano como motor das suas composições e da sua poética visão do mundo, dando-nos uma autoria segura e quente, que tanto nos relembra as polifonias de Joanna Newsom, como o toque etéreo de Josephine Foster. James Blackshaw traz consigo o pesado rótulo de jovem-prodígio depois de um reconhecimento merecido para All Is Falling e The Glass Bead Game, os seus dois últimos álbuns, editados por Michael Gira, onde numa procura por novas e ambiciosas metodologias épicas para as suas composições, se direcciona cada vez mais para a devoção por uma estética minimalista contemporânea, do que para a colheita directa da árvore do alt folk. Tanto Nancy como James actuarão a solo e em duo, provando que, à distância ou em proximidade, a paixão e o virtuosismo com que tecem a sua música só nos podem prometer uma noite inesquecível.

Os concertos acontecem dia 27 Junho, às 22h00 no Teatro Maria Matos.



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