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“Não Há Tantos Homens Ricos Como Mulheres Bonitas Que os Mereçam” de Helena Vasconcelos

A mulher, segundo Jane Austen (e não só)

Numa entrevista recente à TSF, mais concretamente no programa “Pessoal e Transmissível”, à pergunta porque escreveu um romance, a escritora e crítica literária Helena Vasconcelos respondeu: «por vaidade».

E é esse sentimento, entendido neste contexto enquanto orgulho, sem preconceitos, que passeia pelas páginas de “Não Há Tantos Homens Ricos Como Mulheres Bonitas Que os Mereçam(Quetzal, 2016), um livro que traça uma tangente à obra Jane Austen, levando o leitor a conhecer, ou revisitar, esse universo pela mão de Ana Teresa Mendes DeWelt, uma lisboeta (de origem holandesa) das Avenidas Novas que dedica a vida ao estudo das Humanidades e vai para Londres escrever uma tese sobre a autora de “Orgulho e Preconceito” ou “Sensibilidade e Bom Senso”, título do qual foi retirada a frase que dá nome ao nosso objeto literário em análise.

Tendo como propósito a busca de uma felicidade feminista – para muitos, desprovida de amor face a um excesso de racionalidade – apenas presente no mundo literário de Austen, Ana Teresa reflete sobre a dicotomia riqueza masculina/beleza feminina presente nas sociedades dos séculos XVIII e XIX, tão caras à obra da autora inglesa, e tenta fazer um paralelismo, ainda que distante, entre essas ideias na perspetiva de passado e presente.

Muita coisa mudou desde esses tempos, mas nem tudo, e a mulher de hoje, principalmente depois de acontecimentos como o maio de 68, movimento tão querido à própria Helena Vasconcelos, é levada a encarar o mundo de forma mais crítica colocando em causa valores como a amizade, o desejo, o amor e a família face à força dos interesses materiais.

Por via de uma narrativa divertida e mordaz, ainda que não cómica, “Não Há Tantos Homens Ricos Como Mulheres Bonitas Que os Mereçam” divide-se entre uma vivência por terras de Inglaterra e Lisboa, sendo que o elo comum entre esta dupla dimensão tem como pontos de união as vidas de Ana e Jane, ou Jane e Ana, por vezes apresentada em capítulos alternados. Além das mudanças de cenário, e época, também a dinâmica da narrativa altera mediante a “paisagem” tornando-se mais rápida perto no seu final.

Pelo meio existe espaço para refletir sobre o referido papel das jovens adultas na sociedade do fim do século XVIII e início do século XIX (com os seus ritos, costumes, valores, preconceitos), divergir sobre uma particular forma de escrever e pensar uma autobiografia ou ainda entender o papel das relações sociais, hoje dominadas pelas redes sociais como forma útil para até tentar recuperar antigos amores.



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